Após enchente, turismo em Peruíbe cai 80%

Comércio vê situação crítica porque 70% do movimento depende de turistas

Rejane Lima, O Estadao de S.Paulo

02 de fevereiro de 2008 | 00h00

As águas baixaram, mas as imagens que mostraram Peruíbe submersa afastaram os turistas. Quase três semanas após a enchente, a cidade do litoral sul, que teve estado de calamidade decretado no dia 15, sofre com a queda de até 80% no movimento de turistas. "O problema econômico é pior que o social. Teve gente dizendo que 100% das reservas foram canceladas", afirmou o diretor-presidente da Associação Comercial de Peruíbe, Geraldo Bomvechio, que calcula perdas diárias de R$ 4 milhões no carnaval. A cidade tem 40% dos imóveis destinados a veraneio e cerca de 5.500 leitos em hotéis. "Hoje a cidade vive do turismo, é praticamente 70%", explicou Bomvechio, calculando que a ocupação hoteleira está 60% inferior à do carnaval anterior. Ao contrário do que ocorreu em Peruíbe, a média de reservas dos hotéis da Baixada Santista para o carnaval é de 70%. E a expectativa é de 90% de lotação, segundo o sindicato dos hotéis, restaurantes e bares de Santos, Sindhorbs. Administrador de pousadas em Peruíbe, Miguel Camargo acredita que o seu setor é o mais prejudicado, pela facilidade de um turista trocar a reserva. "Temos 40% de vagas ocupadas, muita gente solicitou o cancelamento com devolução de reserva. Normalmente, não há devolução, mas, por causa do estado de calamidade, optamos por devolver." Ele disse que o argumento de que os estragos da chuva se restringiram à periferia da cidade não convenceu aos clientes. A situação não está melhor para o ramo imobiliário. O telefone da Fábio Imóveis está sem tocar, segundo a sócia-proprietária Daniela Americano da Costa. "Eu sempre aluguei muito. Nesta época nunca foi assim." Ele disse que, das 50 casas que tem em carteira, só conseguiu alugar 11.O diretor da associação comercial destacou que a cidade, diferentemente das vizinhas, não teve falta d?água e registrou poucos casos de queimaduras por águas-vivas. "O comércio, até 5 de janeiro, estava considerando a temporada a melhor de todos os tempos." Agora, disse Bomvechio, as perdas de restaurantes, lanchonetes e quiosques giram em torno de 40%.A prefeita Julieta Omuro (PMDB) não relaciona a fuga de turistas à enchente, mas à falta de sol. Ela disse ainda que o município recebeu do Estado verbas para suprir 32% dos prejuízos, calculados em R$ 11 milhões. O município obteve R$ 1,35 milhão da Defesa Civil para obras na contenção de encostas e recuperação da Ponte do Perequê, R$ 500 mil para a recuperação de infra-estrutura e a confirmação de que o Estado fará as obras necessárias na estrada do Guaraú.

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