Após enterro, moradores protestam contra militares no Rio

Ao menos um ficou ferido em confronto entre moradores e Exército, em frente à sede do Comando Militar

Talita Figueiredo, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2008 | 18h59

Manifestantes exaltados, com gritos de "Justiça" atiraram pedras, tampas de bueiro, cartazes e coroas de flores em cima de militares no Palácio Duque de Caxias, sede do Comando Militar do Leste no Rio, em protesto contra o sumiço e morte de três jovens presos por desacato no Morro da Providência. Eles quebraram carros que estavam estacionados em frente à instituição. Os militares responderam com bombas de efeito moral e gás de pimenta.   Veja também: Delegado diz que militar confessou ter entregado jovens no Rio Cabral condena 'atrocidade' cometida por militares no Rio Justiça decreta prisão de militares que ocupavam morro no Rio Moradores queimam ônibus em protesto contra Exército no Rio Polícia quer prisão de 11 militares que ocupam morro no Rio   Fotos: Marcos D'Paula/AE   A confusão foi armada por volta das 18 horas ao lado do terminal ferroviário da Central do Brasil, quando milhares de pessoas se preparavam para pegar a condução para voltar para casa. A Polícia Militar foi chamada, mas não interferiu na ação. Os moradores do Morro da Providência saíram do enterro dos jovens direto para o Palácio Duque de Caxias, que fica a cerca de 200 metros do morro.   O Comando Militar do Leste informou ontem que vai permanecer, com reforço, no Morro da Providência para dar segurança à obra Cimento Social, uma parceria entre o Ministério da Defesa e o Ministério das Cidades. Para o chefe da seção de comunicação social do Comando Militar do leste, Carlos Alberto Neiva Barcellos, o "incidente" que terminou na morte de três jovens de um "fato isolado" e não torna insustentável a presença do Exército no local.     Desde o início do ano, cerca de 250 homens permanecem no Morro da Providência para fazer a segurança da equipe técnica de engenheiros do Exército que estão reformando 780 fachadas da comunidade. O coronel Barcellos disse que o Exército está capacitado para fazer a segurança da obra e evitou polemizar com a declaração do secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame.   Barcellos afirmou que o Exército "repudia veementemente qualquer desvio de conduta e qualquer ação fora da legalidade praticado por militares". Ele informou que foi aberto um inquérito policial militar para apurar a participação dos sete soldados, três sargentos e um tenente no sumiço e morte de três jovens da favela.     Segundo Barcellos, a única informação confirmada até agora é que os três foram detidos por desacato e levados ao quartel da Polícia Militar para serem ouvidos. No entanto, o comandante da tropa, cujo nome não foi divulgado, determinou que eles fossem liberados por não haver motivo para detê-los. A partir daí, não há informações oficiais sobre o que aconteceu.   Desde o início da ocupação militar na Providência, outras 12 pessoas já foram detidas por desacato e levadas para prestar depoimento na Delegacia Judiciária de Polícia Militar. "O Exército não pode conviver com o ilícito. O militar pode e deve deter alguém que esteja em flagrante delito, e por isso pode prender alguém por desacato.   Por volta das 17h30, uma tropa de 50 militares postou-se em frente ao Palácio Duque de Caxias, sede do Comando Militar do Leste no Rio, para esperar a chegada dos moradores do morro, que fica a 50 metros do palácio, e que protestariam. Irmão de Marcos Paulo da Silca Correia, um dos jovens mortos, Dinaldo Barbosa disse que oito ônibus lotados eram esperados no local. Ele afirmou que a comunidade não vai permitir a permanência do Exército no morro. "Enquanto eles estiverem lá não vai ter obra, só problema e quebra-quebra". Muito nervoso, ele disse que a vida de sua família acabou.   Atualizado às 19h50

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