Após Era Lula, foco no campo muda e discutirá eficiência

Quando Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a Presidência da República pela primeira vez, em janeiro de 2003, o foco principal da discussão sobre reforma agrária era o volume de assentamentos que o novo governo faria. A expectativa de que iniciasse, como prometera na campanha, um programa massivo de distribuição de terras, provocou uma onda de invasões e instalação de acampamentos à margem de rodovias, sob o comando de várias organizações, especialmente o Movimento dos Sem-Terra (MST).

Roldão Arruda, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2011 | 00h00

Convocado por Lula para elaborar o 2.º Plano Nacional de Reforma Agrária, o então petista Plínio de Arruda Sampaio definiu como meta o assentamento de 1 milhão de famílias em quatro anos. O programa foi chancelado pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, mas encalhou no Ministério da Fazenda. No final, a meta foi reduzida a menos da metade.

No governo Dilma Rousseff, além de não ter sido anunciada nenhuma meta ambiciosa de assentamento, se discute internamente a eficiência dos que já foram instalados. Fala-se na emancipação das famílias assentadas, o que não é nenhum exagero, considerando que boa parte delas só sobrevive com o Bolsa Família e outros programas de transferência de renda.

Outra mudança é que o atual ministro, o deputado baiano Afonso Florence (PT), que ascendeu ao posto com o apoio do governador Jaques Wagner, da Bahia, não tem a força que tinha Rossetto em 2003. As metas que ele estuda para a sua pasta estão sendo discutidas previamente com a ministra Tereza Campello, do Desenvolvimento Social - uma das mulheres fortes do governo Dilma, ao lado de Miriam Belchior, do Planejamento.

Nada indica que o governo deixará de criar assentamentos. Vários estão na fase final de instalação, faltando apenas pagar as terras reivindicadas. Estima-se em R$ 600 milhões o valor a ser pago por áreas já definidas como próprias para a reforma.

O que parece estar ficando mais claro no atual governo é que a simples distribuição de terras não é a panaceia para a solução dos problemas dos pobres na zona rural. Depois de instaladas na terras, as famílias precisam de apoio para passar a produzir e, por fim, andar com as próprias pernas.

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