Após feira, Alemanha foca didáticos do Brasil

Alemães chegam em fevereiro para evento que trata do lucrativo mercado de livros escolares. Ontem, Ubaldo e Bernardo Carvalho falaram de política

Maria Fernanda Rodrigues e Ubiratan Brasil, enviados especiais a Frankfurt, O Estado de S. Paulo

12 Outubro 2013 | 18h43

A Feira do Livro de Frankfurt, que teve o Brasil como convidado de honra, termina hoje, mas a Alemanha não pretende perder o país de vista. Os alemães desembarcam em fevereiro, em São Paulo, para uma nova edição da Contec, evento que criaram em 2012 pensando no lucrativo mercado brasileiro de livros didáticos. Já realizada em São Paulo, Rio e agora em Frankfurt, ela terá uma novidade em 2014: uma feira de tecnologia aplicada à educação e leitura ocorrerá paralelamente às conferências de profissionais e estrangeiros.

"Não será um evento só para professores, mas queremos ensiná-los a ensinar e também mostrar como podem se beneficiar da tecnologia. Eles são as pessoas mais importantes nesse processo", disse Marifé Boix-Garcia, vice-presidente da feira, ao Estado. O evento será realizado entre os dias 18 e 22 de fevereiro, no Sesc Vila Mariana.

O pavilhão ontem ficou lotado, e o debate mais concorrido foi o do cronista do Caderno 2, João Ubaldo Ribeiro, e do escritor e diplomata João Almino. Assunto: Brasília. Ubaldo disse que se sente "péssimo" na Capital Federal - não por conta da população ordeira que mora lá, mas pela "população desordeira e parasitária que mora lá, na esfera política".

A política deu mesmo o tom desta Feira de Frankfurt - do polêmico discurso de abertura de Luiz Ruffato, que chocou alguns e encantou a tantos outros, às leituras e encontros com autores.

Bernardo Carvalho, por exemplo, causou comoção quando afirmou: "A maior ameaça para a democracia brasileira atual são os evangélicos - eu me sinto mais ameaçado por eles que pela corrupção". O motivo, entre outros, é a ação política do deputado Marco Feliciano.

"O Brasil destruiu a imagem que muitos tinham, e isso foi bom. Acho que 90% dos alemães pensavam num país colorido, com comidas maravilhosas, música, carnaval, e num lugar onde as pessoas não trabalham porque estão fazendo festa a toda hora", disse Jurgen Boos, em entrevista coletiva.

Boos é leitor de Ruffato e não se surpreendeu com o teor de sua fala. "Vocês não escolheram Ruffato para fazer o discurso por acaso. Ele descreve muito bem a sociedade em seus livros e, no discurso, falou dessa sociedade enquanto falava sobre si e sobre como ele se tornou um escritor. E essa é uma história de sucesso. Acho que foi uma ótima escolha. Esse lugar não é para festa."

Números. Para vir a Frankfurt, o País deve gastar um pouco menos do que os R$ 18,9 milhões calculados no início. A previsão atual, apresentada por Renato Lessa, presidente da Fundação Biblioteca Nacional, está em R$ 18,46 milhões, divididos entre a pavilhão brasileiro, programação literária, programação cultural dentro e fora da feira e o estande coletivo do Brasil.

Nos últimos três anos, enquanto se preparava para a homenagem, o Brasil trocou três vezes de ministro da Cultura e duas vezes de presidente da Biblioteca Nacional - mudanças que foram apontadas por Boos como um dos problemas da organização. A língua e as diferenças culturais também atrapalharam. "Mas isso acontece todos os anos e aconteceria se o país convidado fosse a Suíça."

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