Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Após fracasso em negociação, ES amanhece sob clima de insegurança

Aulas, funcionamento de unidades de saúde e circulação de ônibus seguem suspensos; mulher de PM diz que governo não deu nenhuma garantia de reajuste

Marcio Dolzan, Enviado especial de O Estado de S. Paulo

10 Fevereiro 2017 | 09h22

VITÓRIA - Após o fracasso nas negociações entre mulheres representantes dos policiais militares e o governo do Espírito Santo, a Grande Vitória começou esta sexta-feira, 10 - o sétimo dia de paralisação da Polícia Militar -, sob muita incerteza. Sem o acordo, todo o esquema de segurança no Estado ficará sob responsabilidade das forças de segurança que estão atuando no Espírito Santo - formadas por soldados das Forças Armadas e agentes da Força Nacional de Segurança.

Mais uma vez, os ônibus urbanos não estão circulando, e o comércio deverá ficar em sua maioria fechado. As aulas seguem suspensas, assim como unidades de saúde. O movimento nas ruas é praticamente exclusivo de carros particulares e táxis. Poucas pessoas se arriscam a caminhar ou andar de bicicleta nas primeiras horas da manhã.

Negociações. Nesta quinta-feira, 9, um encontro que durou mais de dez horas e reuniu mulheres de policiais militares e o governo do Estado terminou sem acordo. A reunião terminou apenas no início da madrugada desta sexta. 

"Eles não deram garantia nenhuma de reajuste. Já foram 113 mortes, e a greve continua", afirmou Fernanda Silva, mulher de um policial militar e que esteve presente ao encontro.

A categoria reivindica 43% de reposição salarial. Ao longo do encontro desta quinta, as representantes dos PMs chegaram a sugerir o parcelamento do reajuste - um aumento inicial de 15% e os demais 28% no prazo de 12 meses. Mas o governo ofereceu apenas uma possibilidade de reajuste a partir dos resultados de arrecadação do primeiro quadrimestre deste ano, sem, no entanto, apresentar porcentual.

Na negociação, as mulheres dos PMs também pediram anistia total aos policiais militares em eventual processo administrativo por motim. O governo afirmou que não deixará de investigar as infrações, mas prometeu "atuar com isenção".

O secretário estadual de Direitos Humanos, Júlio Pompeu, lamentou o fracasso nas negociações e manutenção do motim dos policiais militares. "Nenhuma categoria de servidor para 100%. Eles (policiais) pararam. É lamentável", declarou Pompeu.

ENTENDA A CRISE NO ESPÍRITO SANTO

Familiares e amigos de policiais militares no Espírito Santo começaram, na noite de sexta-feira, 3, a fazer manifestações impedindo a saída das viaturas para as ruas e afetando a segurança dos municípios.  Sem reajuste há quatro anos, os PMs reivindicam aumento salarial e melhores condições de trabalho.

O motim dos policiais levou a uma onda de homicídios e ataques a lojas. Com medo, a população passou a evitar sair de casa e donos de estabelecimentos fecharam as portas. Os capixabas já estocam comida

Na segunda-feira, 6, a prefeitura de Vitória suspendeu o funcionamento das escolas municipais e de  unidades de saúde. 

Também na segunda, o governo federal autorizou o envio da Força Nacional e das Forças Armadas para reforçar o policiamento nas ruas de cidades do Espírito Santo. Apesar do reforço, o clima de tensão se manteve no Estado.

A morte de um policial civil na noite de terça-feira, 7, motivou uma paralisação da categoria na quarta, agravando ainda mais a crise de segurança no Espírito Santo.

Para tentar conter o motim, o governo criou na quarta-feira, 8, um comitê de negociação com representantes do movimento que impede a saída de policiais militares dos batalhões das principais cidades do Estado.

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