Após fraude, cai corregedor do Detran

O escândalo de venda e falsificação de carteiras nacionais de habilitação (CNHs) provocou a substituição de três delegados da Corregedoria do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) de São Paulo. Investigações feitas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) e pelo Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaerco) do Ministério Público Estadual revelaram que, em vez de coibir a corrupção, integrantes desse setor estavam achacando os policiais envolvidos no esquema.A medida foi anunciada ontem pelo delegado-geral da Polícia Civil, Maurício José Lemos Freire, em resposta à operação que, anteontem, levou 19 pessoas para a cadeia - incluindo policiais, despachantes e donos de auto-escolas e Centros de Formação de Condutores de 11 cidades da Grande São Paulo. "Não estamos fazendo um prejulgamento desses policiais", ponderou Freire. "No nosso entendimento, não basta realizar correições, fazer relatórios e instaurar procedimentos. É preciso tomar medidas preventivas." Foi essa a equipe que, em 29 de abril, foi à Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Ferraz de Vasconcelos, centro do esquema, para apurar irregularidades.A substituição do corregedor do Detran, Francisco Norberto Rocha de Moraes, equivale, na verdade, a uma "troca de cadeiras". A delegada Maria Inês Trefiglio Valente, que ocupava a Divisão de Cursos Complementares da Academia de Polícia Civil (Acadepol), assumirá a Corregedoria do Detran. Moraes, por sua vez, vai substituí-la no cargo. Os outros dois delegados remanejados - Vlademir Constantino de Oliveira e Francisco Gastão Luppi de Castro Filho - foram para o Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap). Caberá ao diretor da unidade definir as novas atribuições dos policiais. Para o lugar deles, foram enviados os delegados Ricardo Ambrósio Fasano Bina e Dirceu Gelk Júnior Attiê.A discussão sobre a operação contra a venda de CNHs monopolizou a reunião de ontem do Conselho da Polícia Civil. O delegado-geral cobrou sugestões sobre como aprimorar a fiscalização nas Ciretrans. Pelas regras atuais, as 360 circunscrições ficam subordinadas tanto ao Detran quanto às seccionais de cada região. "Nesse formato, o corregedor levaria praticamente um ano para percorrer todas as unidades. Queremos tornar essa fiscalização mais eficiente", disse o delegado-geral. O Estado apurou que uma das propostas surgidas na reunião do conselho é treinar policiais das seccionais para atuar juntamente com a Corregedoria do Detran.Também causou constrangimento entre os "cardeais" da Polícia Civil o fato de, mais uma vez, a Corregedoria-Geral da corporação ter sido surpreendida por uma operação feita por "terceiros". "Quando assumi o cargo, disse que priorizaria os setores de inteligência policial e a nossa Corregedoria. Ela ainda não está do jeito que gostaríamos, mas estamos trabalhando", reconheceu o delegado-geral.Freire disse que um dos motivos para a substituição do ex-delegado seccional de Mogi das Cruzes Carlos José Ramos da Silva, o Cazé, foi o fato de que, em 22 de abril, o diretor do Departamento de Polícia da Macro São Paulo, Alexandre Sayão, ter telefonado para Cazé cobrando providências sobre 200 carteiras falsas de Ferraz apreendidas no Sul. Insatisfeito com a solução do problema, Sayão substituiu o seccional e o delegado chefe da Ciretran de Ferraz.

Bruno Tavares e Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

05 de junho de 2008 | 00h00

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