Bruna Justa / ESTADÃO
Bruna Justa / ESTADÃO

Após incêndio em favela em Natal, família vive de doações

Após incêndio em favela de Natal, famílias estão em acampamento improvisado dentro de cemitério com recursos mínimos

Ricardo Araújo, ESPECIAL PARA O ESTADO

15 Agosto 2018 | 03h00

NATAL - Um incêndio em uma favela no início deste ano destruiu quase tudo do pouco que a desempregada Maria de Fátima Fernandes, de 24 anos, juntou ao longo da vida. Mãe de dois filhos, o caçula com 45 dias, ela e a família moram em barraco erguido com restos de madeira, plástico e lona no Assentamento Olga Benário, zona oeste de Natal. “É tudo muito difícil. Meu marido está desempregado e a gente sobrevive do Bolsa Família, por causa do meu filho mais velho, que vai à escola.”

A menos de 2 metros da cama na qual dormem Maria de Fátima, o filho mais velho de 3 anos, o recém-nascido e o marido, está um vaso sanitário cujo dejetos são canalizados para uma fossa séptica ao ar livre.

O acesso à água potável se dá por ligações clandestinas. Nem sempre o líquido é suficiente para ela e outras 133 famílias que dividem o terreno, um cemitério público, que nunca foi usado por questões judiciais, e acabou invadido.

Maria de Fátima trocou o Ceará pelo Rio Grande do Norte em busca de vida melhor. Desde que nasceu, o filho mais novo não voltou ao pediatra para o acompanhamento médico necessário, pois a família sequer tem condições de pagar uma passagem de ônibus. “Estamos numa situação extrema”, comenta, cabisbaixa.

Sem festa

Perto dali e privado de cinco dos seis direitos básicos listados pelo estudo do Unicef, além da pobreza monetária, o filho mais novo de Maria do Livramento Florentino, de 28 anos, não vai ganhar uma festa de aniversário nesta quarta, 15, quando completa 3 anos. Desempregada, a mãe dele e de mais dois meninos garante a alimentação da família com R$ 280 que recebe do Bolsa Família, única fonte fixa de renda. “Meus filhos e eu vivemos de doação.”

A escola pública infantil fica a 40 minutos de caminhada por trechos usados por bandidos para desova de cadáveres e estupros. A energia elétrica que alimenta os barracos é oriunda de torres de alta tensão que passam por cima das moradias, o que torna a área mais perigosa. O lixo fica espalhado, sem qualquer controle pelo local.

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