Após indiciamento, pilotos do Legacy seguem para os EUA

Após serem indiciados pela Polícia Federal(PF) por exporem a aeronave ao perigo, os americanos Joe Lepore e Jan Paladino, que pilotavam o jato Legacy que se chocou como Boeing da Gol, causando a morte de 154 pessoas, em 29 de setembro, embarcaram para os Estados Unidos no Aeroporto Internacional de em Cumbica, Guarulhos, no final da tarde desta sexta-feira. Eles prestaram depoimento na Polícia Federal, em São Paulo, das 8 às 14h30 desta sexta e foram indiciados pelo artigo 261, que pune quem expõe a perigo embarcação ou aeronave. Quando há morte, a pena aplicada a esse crime é a de homicídio culposo (de 1 a 3 anos) acrescida de um terço. Segundo a Polícia Federal (PF), eles agiram de forma culposa, portanto, não tinham a intenção de cometer o crime. Os americanos deixaram o prédio da PF em uma van, junto com membros do Consulado dos Estados Unidos, que seguiu para o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, por volta das 16h30. Mesmo indiciados, os pilotos poderão responder em liberdade.Segundo informações dos advogados dos pilotos, eles exerceram o direito de permanecer em silêncio. De acordo com nota divulgada pela PF, " a decisão de indiciá-los deu-se com base em elementos de provas existentes nos autos do inquérito policial, que apontam a falta dos cuidados necessários, esperados e exigíveis de pilotos durante a realização de um vôo".A PF ressaltou que as investigações ainda não foram encerradas e outras condutas poderão ser apontadas como causas do acidente. O inquérito Policial deverá ser remetido à Justiça Federal de Sinop, no Mato Grosso, no dia 13 de dezembro, com pedido de novo prazo para prosseguimento nas investigações.Porém, o advogado José Carlos Dias classificou como ´ato político´ a decisão da Polícia Federal de indiciar os pilotos. "Foi um ato absolutamente preconceituoso, discriminatório e que faz até parecer que tem um conteúdo político,", declarou. Segundo ele, a decisão dá a entender que ´é preciso encontrar responsáveis por aquele acidente". Dias disse também que os delegados Ramon da Silva, de Mato Grosso, e Rubem Maleiner, de Brasília, já haviam decidido pelo indiciamento antes mesmo de ouvirem os pilotos.

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