EFE
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Após instalar chuveiro e banheiro para os mais pobres, papa Francisco cria barbearia

Barbeiros atenderão os novos clientes de forma voluntária às segundas, quando os cabeleireiros de Roma estão fechados

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

30 Janeiro 2015 | 16h14

GENEBRA - Depois de instalar chuveiros, banheiros e de ordenar a distribuição de comida e roupas para os centenas de mendigos e sem-teto que dormem todas as noites sob as pilastras do Vaticano e por Roma, o papa Francisco vai abrir agora uma barbearia gratuita para os mais miseráveis. 

A iniciativa entrará em operação em meados de fevereiro. Nas últimas semanas, cabeleireiros e voluntários de Roma deram à Santa Sé dezenas de tesouras, pentes, espelhos e cadeiras para que os novos clientes possam ser atendidos. Segundo o Vaticano, a meta é muito clara: "dar dignidade às pessoas".   

A operação será implementada pela Esmolaria Apostólica, o braço executivo da entidade de caridade que o papa dirige pessoalmente e que existe há 900 anos. Em seu site, ela se define como "o Departamento da Santa Sé que tem a função de exercer a caridade para com os pobres em nome do Sumo Pontífice".

Ao assumir o pontificado, Francisco nomeou o arcebispo polonês Konrad Krajewski para liderar os trabalhos nesse setor e deu um recado: não queria vê-lo sentado em seu escritório.

Uma das coisas que mais irritava o papa era o menosprezo do Vaticano diante dos mendigos de Roma, que, pela noite, encontravam refúgio na Praça São Pedro. Muitos usam as colunas da catedral para se esconder do frio. Durante o inverno, a Cruz Vermelha italiana decidiu distribuir sopas.

Para o papa, isso não era suficiente e, no ano passado, ele ordenou que banheiros com chuveiros fossem colocados. Agora o projeto ganha a barbearia. "Primeiro queremos dar dignidade às pessoas", explicou Krajewski. "Uma pessoa que não pode se lavar é uma pessoa socialmente excluída e também sabemos que essas pessoas sem-teto não podem entrar em um bar para pedir para usar o banheiro", indicou. "Mas, claro, tomar banho e poder lavar a roupa íntima não é suficiente", disse. "Era necessário também ter o cabelo e a barba em ordem, até mesmo para prevenir doenças", indicou o religioso polonês. 

Apelo a voluntários. O Vaticano admitiu que achava que poderia ter problemas para encontrar barbeiros. Mas quando lançou um apelo, até mesmo nas escolas de cabeleireiros, o resultado foi surpreendente. Os barbeiros se colocaram à disposição para trabalhar para o Vaticano todas as segundas-feiras, quando os cabeleireiros da sofisticada Roma estão fechados. 

No ano passado, Francisco comemorou seu aniversário distribuindo 400 sacos de dormir para os mendigos e sem-teto. Ele ainda convidou 200 deles para jantar no Vaticano.

Em Roma, cerca de 3,2 mil pessoas não tem casa e perambulam pelas ruas da capital. Metade delas não encontra lugar nos abrigos públicos para dormir.  

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