Secretaria de Justiça/Divulgação
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Após mais uma fuga de presos, secretário entrega o cargo no MA

Sebastião Uchôa foi substituído interinamente pelo delegado Marcos Affonso Junior; somente neste ano, 92 escaparam de Pedrinhas 

Ernesto Batista, Especial para O Estado

17 de setembro de 2014 | 14h00

Atualizada às 23h20

SÃO LUÍS - Em meno de uma semana, duas fugas em massa, uma greve de agentes penitenciários, uma tentativa de motim e a prisão do diretor de uma das cadeias do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, acusado de corrupção, derrubaram o secretário de Estado de Justiça e Administração Penitenciária do Maranhão, Sebastião Uchôa.

A governadora Roseana Sarney (PMDB-MA) aceitou o pedido de exoneração de Uchôa e determinou que o delegado Marcos Affonso Júnior, que também responde pela pasta de Segurança Pública do Maranhão, assumisse interinamente o cargo. 

Ele tentava solucionar a crise que o sistema prisional do Estado passa desde 2013, quando cerca de 60 presos foram assassinados nas sete prisões de Pedrinhas. No entanto a fuga em massa registrada na madrugada desta quarta-feira, 17, a deflagração da greve de monitores das terceirizadas contratadas para atuar como agentes penitenciários e uma tentativa de motim na manhã desta quarta levaram Uchôa a pedir exoneração do cargo.

O novo capítulo da crise do Complexo de Pedrinhas, superlotado e dividido entre facções criminosas , começou ainda na madrugada, quando pelo menos 30 presos, que estavam encarcerados na Penitenciária São Luís I, escaparam por um túnel cavado no fim de semana. Ato todo, apenas neste ano, 92 detentos conseguiram fugir. 

Investigação. Antes de sair, Uchôa havia determinado a abertura de uma nova investigação para saber como a escavação do túnel passou despercebida pelos agentes penitenciários. “Não foi realizada vistoria ou revista nem domingo nem segunda nem terça, deixando acontecer que eles cavassem esse túnel. Como é que ninguém faz revista e vistoria em três dias? Alguém tem de ser responsabilizado”, disse Uchôa, que esteve vistoriando Pedrinhas no sábado.

Depois que a fuga foi descoberta, agentes penitenciários e cerca de 120 vigilantes que trabalham em uma empresa terceirizada como monitores em Pedrinhas entraram em greve e, logo em seguida, outros 30 presos tentaram fugir da Central de Custódia de presos de Justiça, pulando um muro. 

O Batalhão de Choque da Polícia Militar do Maranhão e a Guarda Nacional conseguiram conter a tentativa de fuga, com os presos ainda do lado de fora da prisão. No momento havia tensão no local. Policiais usaram bala de borracha, o Grupo Tático Aéreo (GTA) também estava monitorando o presídio. 

Agentes da Ronda Tático Móvel (Rotam) e Força Tática da PM-MA e do Grupo Especial de Operações da Sejap entraram na Casa de Detenção. Os detentos ficaram no pátio. Havia informações de que celas e corredores estavam depredados, porém não havia notícias de feridos até o início da noite.

Antes, na semana passada, uma caçamba colidiu com o Muro da Casa de Detenção (Cadet), provocando um rombo de sete metros de diâmetro e permitindo a fuga de 36 presos. E, na última segunda-feira, o diretor da cadeia, Cláudio Henrique Bezerra Barcelos, também funcionário terceirizado, foi preso acusado de receber dinheiro de presos para deixa-los escapar. 

Apesar da substituição do comando da Secretaria de Administração Penitenciária, a crise em Pedrinhas está longe de ser solucionada e deverá ser uma herança que o atual governo deixará para o próximo governador tentar resolver. 

Direitos humanos. No começo do ano, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, recebeu representantes de organizações de defesa dos direitos humanos que solicitaram intervenção federal no Maranhão e a federalização dos crimes de Pedrinhas.




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