DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Após massacre e fuga de detentos, Manaus tem 8 homicídios em 24 h

Todas as mortes do último dia estão supostamente ligadas ao tráfico de drogas; no IML, 18 dos 39 corpos de vítimas do massacre foram liberados

Marcia Oliveira, Especial para O Estado

05 Janeiro 2017 | 21h16

MANAUS - Após o massacre no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) seguido da fuga de detentos, a capital amazonense está temerosa. Nas últimas 24 horas foram registrados oito homicídios, todos supostamente ligados ao tráfico. Além da onda de mortes na capital, foram registrados furtos, roubo e tentativas de arrombamento.

Entre os casos que podem ter ligação com a fuga está o de um homem identificado apenas como "Lucio", que foi morto com 12 facadas, teve a cabeça decapitada e o corpo jogado em uma lixeira na zona norte de Manaus. De acordo com familiares da vítima, ele teve envolvimento com o tráfico, mas estava afastado há quase um ano. A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), montou uma força-tarefa para atuar na busca e captura dos detentos.

Mortos. Apenas 18 dos 39 corpos já reconhecidos de detentos mortos no massacre no Compaj foram liberados. De acordo com funcionários do Instituto Médico Legal (IML), a unidade não está preparada para atender à demanda e faltou material básico de trabalho, um dos fatores que vem contribuindo para a lentidão no processo de identificação dos corpos.

Segundo um dos médicos-legistas, outro fator que dificulta a identificação é que, como a maior parte dos detentos foi esquartejada, faltam pedaços dos corpos, o que impossibilita a liberação, mesmo após o reconhecimento por meio de fotografias.  

De acordo com um funcionário que preferiu não se identificar a precariedade das instalações e a falta de material são os desafios enfrentados. "No dia do massacre faltaram luvas, gaze, foi um verdadeiro desespero para emprestar dos hospitais para conseguir dar conta do que estava acontecendo naquele momento", explicou.

"O governo precisa ajudar para que essas identificações sejam possíveis. Sabemos as causas das mortes mas não temos material para trabalhar, além de que existem dificuldades com exames de DNA e de arcada dentária", finalizou. 

Protesto da categoria. Um grupo de peritos oficiais do Amazonas se reuniu em frente ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), para protestar pela desvalorização da categoria, que ficou evidenciada pelo episódio do massacre. A categoria aproveitou a presença da ministra Cármem Lúcia para pedir o reconhecimento da importância da perícia para a Justiça.

O ato paralisou momentaneamente o processo de identificação dos mortos no massacre, aumentando ainda mais a espera das famílias tanto na identificação quanto na liberação dos corpos. 

Espera e desespero. Informações desencontradas foram o tormento de Dona Marisa, mãe de um dos 60 presos que foram mortos durante a chacina. Segundo a dona de casa, do momento da primeira informação, horas após a festa de réveillon ocorrida no Compaj, até o reconhecimento do corpo do filho foram dois dias de angústia.

"Eu não sabia de nada, a gente primeiro ficou na frente da cadeia, depois viemos pro IML, mas sem ter certeza de nada, e mesmo depois que tive certeza de que meu filho tinha morrido eu continuei sem ter muitas informações, só agora que um funcionário veio me dizer que o corpo está para ser liberado", desabafa. 

 

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