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Secretário de Administração Penitenciária do AM pede demissão

Quem assume a pasta é o tenente coronel Cleitman Rabelo Coelho, comandante do Policiamento Especializado (CPE)

Márcia Oliveria, O Estado de S. Paulo

13 Janeiro 2017 | 13h10

MANAUS - O secretário de Administração Penitenciaria do Estado, Pedro Florêncio Filho, pediu exoneração do cargo na manhã desta sexta-feira, 13, informou o governo do Amazonas. Quem assume a pasta é o tenente-coronel Cleitman Rabelo Coelho, comandante do Policiamento Especializado (CPE).

O documento com a exoneração de Florêncio Filho e a nomeação do novo secretário foi assinado pelo governador José Melo (Pros), nas primeiras horas da manhã desta sexta-feira. 

Em entrevista a uma rádio local, o ex-titular da Seap disse que estava cansado e frustrado com o fracasso de seu projeto de humanização dos presídio. Florêncio Filho assumiu a pasta em setembro de 2015, logo após o então secretário Louismar Bonates pedir exoneração do cargo.

O tenente-coronel Cleitman Rabelo era o comandante do Policiamento Especializado. Formado na academia de Polícia do Ceará, tem pós-graduação em Gestão e Direito de trânsito, especialização em choque, policiamento comunitário e tiro tático. O tenente-coronel já coordenou os comandos de Policiamento de Área Norte (CPA-Norte) e Leste (CPA-Leste) e foi diretor de trânsito do Manaustrans entre 2009 e 2012, na gestão do prefeito Amazonino Mendes.

MASSACRE EM MANAUS

Um sangrento confronto entre facções no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus, deixou 56 mortos entre a tarde de 1º de janeiro e a manhã do dia 2. A rebelião, que durou 17 horas, acabou com detentos esquartejados e decapitados no segundo maior massacre registrado em presídios no Brasil - em 1992, 111 morreram no Carandiru, em São Paulo. Treze funcionários e 70 presos foram feitos reféns e 184 homens conseguiram fugir. Outros quatro presos foram mortos no Instituto Penal Antonio Trindade (Ipat), também em Manaus. Segundo o governo do Amazonas, o ataque foi coordenado pela facção Família do Norte (FDN) para eliminar integrantes do grupo rival, o Primeiro Comando da Capital (PCC). 

Cinco dias depois, o PCC iniciou sua vingança e matou 31 detentos na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (PAMC), em Boa Vista, Roraima. A maioria das vítimas foi esquartejada, decapitada ou teve o coração arrancado, método usado pelo PCC em conflitos entre facções. Com 1.475 detentos, a PAMC é reduto do PCC, que está em guerra contra a facção carioca Comando Vermelho (CV) e seus aliados da FDN. Roraima tem 2.621 presos - 900 dos quais pertenceriam a facções, a maioria do PCC. No total, 27 facções disputam o controle do crime organizado nos Estados.

A guerra de facções deixou o sistema penitenciário em alerta, os e governadores de Amazonas, Roraima, Rondônia, Acre, Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul pediram ajuda do governo federal com o envio da Força Nacional. Amazonas foi o primeiro Estado a receber. A crise é tamanha que, segundo o Conselho Nacional de Justiça, são necessários R$ 10 bilhões para acabar com déficit prisional no País.

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