Após matar inglesa, acusado enviou fotos e torpedos por celular

Mensagens foram enviadas para amigos e o irmão e confirmam o assassinato de Cara Marie Burke em Goiânia

Rubens Santos, especial para O Estado de S.Paulo

06 Agosto 2008 | 17h19

Após trucidar a jovem inglesa Cara Marie Burke, de 17 anos, no apartamento em que morava, o acusado pela barbárie, Mohammed D'Ali Carvalho dos Santos, de 20, mostrou a foto que tirou do corpo da jovem com o telefone celular para quase uma dezena de amigos pessoais. Também enviou torpedos para amigos no Brasil e em Londres, relatando o crime.   Veja também: Polícia pedirá prisão preventiva do acusado de matar inglesa   O irmão mais velho de Mohammed, Bruce Lee, que mora em Londres, recebeu três mensagens no dia 28. A primeira diz: "Ou ela me mando. 1500 + preciso d grana pa fika fora d goiania por uns tempo e o cristiano ta precisando dakela grana e vc falo que ia me ajuda [Ou, ela me mandou R$ 1.500, mas preciso de grana para ficar dora de Goiânia por uns tempos. O Cristiano está precisando daquela grana e você falou que ia me ajudar]".   A segunda: "Ja resolvi já c eu paga ele fiko sem dinhero pra sair daki e eu sei q num vai dmora muito pro povo ir atras d min pra saber dela [Já resolvi, já. Se eu pagar ele fico sem dinheiro para sair daqui e eu sei que não vai demorar muito para o povo ir atrás de mim, para saber dela]". E a terceira: "Blz vlw d+ mando a foto da difunta pro c amanhã [Beleza, valeu demais. Mando a foto da defunta para você amanhã]".   No dia seguinte, enviou para "ABN", às 14:13, a seguinte mensagem: "Blud i Killed dis bitch saturday in ma yard and they found da body today in a river but they didnt find arms legs and head cuz i didnt put ina da same Place [Meu, eu matei essa cadela sábado, no meu apartamento, e eles encontraram o corpo hoje em um rio, mas eles não acharam os braços, pernas e cabeça porque eu não coloquei no mesmo lugar]".   "Ele exibiu a foto como se fosse um troféu", disse o mecânico Carlos Alessandro Pedro da Silva, de 25 anos, conhecido como Barriga. Ele se encontrou com Mohammed e outras pessoas na festa da Mulher Melancia, no setor Santo Hilário, em Goiânia.   No depoimento à polícia nesta tarde, Barriga revelou que recebeu várias mensagens sobre o crime, mas temeu por retaliações caso denunciasse: "Se ele fez o que fez com uma garota como a Cara, o quê não faria comigo?", justificou.   Coletiva   Para minimizar o fato, Mohammed D'Ali deu uma entrevista coletiva - convocada por ele e seus advogados - na Delegacia de Homicídios, onde está preso numa cela de seis metros quadrados, equipado com um catre e uma latrina. "Estou arrependido do que fiz", disse, ao relembrar que após matar a inglesa, que chamava de Trombadinha, esquartejou o corpo em cinco pedaços.   Enquanto falava, o Corpo de Bombeiros localizava a perna direita de Cara Marie Burke, embrulhada num saco de lixo de cor preta, no mesmo local onde foram localizados a cabeça, os braços e a perna esquerda: o Rio Sozinha, distante 33 quilômetros de Goiânia.   Um exame de DNA, de acordo com o Instituto Médico Legal (IML), vai definir se o corpo é realmente de Cara Marie Burke ou não, para depois liberar para cremação, em Londres. Uma anônima inglesa fez contato nesta terça com Elie Chidiac, chefe da Assessoria de Assuntos Internacionais (AAI), do governo de Goiás, oferecendo-se para pagar o translado do corpo ao custo de 2,5 mil libras esterlinas (cerca de R$ 7,6 mil).   Embora esteja próximo de ser encerrado, o inquérito sobre o caso de morte e esquartejamento da inglesa está revelando que o caso, segundo a polícia, pode envolver uma rede de drogas, de viciados e de traficantes.

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