Após morte de garimpeiros, governo promete desarmamento

A assessoria do Ministério da Justiça informou neste domingo que o governo federal realizará uma operação de desarmamento de índios e garimpeiros no sul de Rondônia, para evitar mais mortes. Cerca de 200 homens, entre policiais federais e funcionários da Funai estão assumindo posição para iniciar a operação tão logo sejam resgatados os corpos dos garimpeiros mortos por índios da etnia cinta-larga, no último conflito, ocorrido na Semana Santa. ?O governo está atento à situação e não vai deixar que esse quadro se agrave?, afirma assessoria.Nos próximos dias, o governo anunciará um conjunto de medidas garantindo aos índios o usufruto legal dos recursos minerais de suas terras. Pela Constituição, as reservas minerais do subsolo são patrimônio da União e, quando em áreas indígenas, só podem ser exploradas com autorização do Congresso. O Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) fará a prospecção de jazidas fora da reserva para assegurar trabalho e pacificar os garimpeiros.Eles começaram a chegar à região em 1999, vindos de todas as partes do País, após a descoberta de uma jazida de diamantes. Hoje, eles somam entre 5 e 6 mil homens. Desde 2001, foram realizadas quatro grandes operações de expulsão de garimpeiros, que frequentemente entram em confronto com os índios.Pelo menos 30 corpos foram resgatados da reserva indígena até o massacre da Semana Santa. ?Há anos o governo vem tirando invasores e desativando garimpos ilegais, mas os garimpeiros insistem em voltar. Assim fica difícil conter a violência?, disse a assessoria do Ministério da Justiça. A área de inteligência do governo federal detectou também que o governo estadual tem estimulado a exploração ilegal na reserva indígena, por pressão de grupos econômicos. Há indícios também de que o garimpo em Rondônia tem conexão com o crime organizado.

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