Após morte de garoto, Rio lança 'universidade' para polícia

Segundo secretário de Segurança do Rio, faltou preparo psicológico e operacional de policiais envolvidos

da Redação, estadao.com.br

08 de julho de 2008 | 09h36

Um dia depois de mais uma morte que chocou o Rio de Janeiro e o País - na segunda-feira, o menino João Roberto Amorim Soares, de 3 anos, morreu após uma desastrosa operação policial na Tijuca - o governo estadual pretende anunciar nesta terça-feira, 8, um projeto "milionário" de capacitação de policiais, a Universidade da Polícia, que tem apoio do Ministério da Justiça. O secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, admitiu que o assassinato do menino João Roberto Amorim Soares, de 3 anos, foi causado pela falta de preparo "psicológico e operacional" dos policiais que fizeram a abordagem, anteontem à noite, na Tijuca, zona norte da cidade. Ele iniciou a entrevista coletiva com um pedido de desculpas à família atacada no Fiat Palio Weekend e classificou de "desastrosa" a ação. Minutos depois, reconheceu que não há desculpa para o fato e relatou que o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) estava "constrangido" com a "falha". Beltrame disse que está à disposição da família de João e que fará o possível para "minimizar o que é irreparável". "Não estamos parados, mas uma mudança de cultura não acontece de domingo para sexta-feira. Temos trajetórias oceânicas a percorrer", admitiu. O secretário voltou a defender o aumento do efetivo da PM e a manutenção da atual política de segurança, que quebrou recordes de mortos em supostos confrontos. Disse, porém, que o fato de anteontem "de maneira nenhuma" deve ser ligado a essa política. "O combate vai continuar." "O que faltou foi treinamento, análise de critério e raciocínio voltado para o que deveria ser feito", disse Beltrame. Sobre a hipótese de fogo cruzado, levantada pelos acusados, afirmou que "a tese é irrelevante". Beltrame ressalvou, porém, que não pode "crucificar" os cerca de 30 mil PMs fluminenses pelo erro. Segundo ele, houve "confusão" - os policiais, afirmou, acreditaram se tratar de um carro ocupado por criminosos e atiraram. "Aí reside a confusão, a falta de discernimento. A falha foi exatamente não ter timing para a abordagem." "Dois policiais estão presos, as armas deles foram recolhidas, mas a tragédia está feita. As explicações (dos policiais) são todas irrelevantes diante do que ocorreu." O secretário citou a complexidade de se lidar com uma média de 1,7 mil ocorrências policiais diárias no Estado, principalmente numa área como a Tijuca, onde há 19 morros. Ele disse que policiais saem às ruas "recrudescidos", principalmente naquela região, por causa das ameaças, mas afirmou que isso não justificaria a atitude. Para Beltrame, o policial não tem direito de errar e deve ter rapidez para discernir. O secretário não soube dizer há quanto tempo os policiais acusados estão na corporação. Ele disse que nos oito meses de academia há treinamento específico para abordagem de veículos suspeitos, ministrado pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope). Relatou uma conversa que teve com o comandante do batalhão local que afirmou que a orientação dada aos policiais "não foi aquela".

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