Após morte por escova progressiva, formol é tema em feira

O combate ao uso do formol em produtos que prometem deixar os cabelos lisos foi um dos principais temas da feira Hair Brasil, que terminou na segunda-feira, 16, em São Paulo. No último dia do evento, técnicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deram uma palestra sobre o uso inadequado da substância. As empresas de cosméticos, por outro lado, oferecem produtos e técnicas que deixam os cabelos lisos, sem formol em sua composição. De acordo com o técnico da Anvisa Marcelo Sidi, que presidiu a palestra, o formol, nas concentrações permitidas, não age como um alisante de cabelos. "Utilizamos até 0,2% de formol, mas com a ação de conservar o produto e não com a função de alisar" explicou. Segundo Sidi, a substância também pode ser utilizada como endurecedor de unhas. "É permitido o uso de até 5% em esmaltes, mas a cutícula deve ser protegida com óleo ou cera." Em março, uma mulher morreu após fazer escova progressiva em Goiás. Três dias após aplicar o produto durante a técnica de alisamento, a dona de casa Maria Eni da Silva, de 33 anos, teve uma reação alérgica e uma intoxicação causou sua morte. O uso do formol em cosméticos é nocivo ao organismo. "O formol é um agente irritante da pele e sua utilização pode causar, a médio e longo prazo, câncer de pele e pulmão", disse. Se o gás for inalado, causa tosse, dor de garganta, tontura, irritação no nariz, não só no cliente, mas também no profissional. Existem no mercado produtos que, sem utilizar formol, garantem o liso prolongado aos cabelos. É o caso do tioglicolato de amônia. "Deixa o cabelo definitivamente liso", explicou a técnica do departamento de alisamento e tratamento da marca Tânagra, Márcia Esther Gomes de Oliveira. Tire suas dúvidas O presidente da Sociedade Brasileira para Estudo do Cabelo, Valcinir Bedin responde sobre as principais dúvidas sobre o uso da escola progressiva: Qualquer mulher pode fazer escova progressiva ? As restrições são as de sempre. Menores de 12 anos de idade não devem fazer de jeito nenhum, porque essas meninas ainda não têm a produção de hormônios que influenciam o cabelo. Se fizer antes dessa idade pode ter um prejuízo definitivo. A partir daí, pode-se fazer, sempre observando os cuidados para os casos que tenham restrição, do tipo doença do couro cabeludo ou alergia aos componentes, o que é mais sério ainda. As idosas podem fazer também, sem limites, mas o melhor é que as mulheres gostassem do cabelo que têm. Como a mulher percebe que o alisamento não deu certo? As reações imediatas de alergia são irritação nos olhos, secura no nariz e na boca e ardor ou inchaço na cabeça. Se tiver essas reações, a pessoa deve procurar ajuda médica. A longo prazo, não há problemas. O cabelo pode ficar mais frágil. E é importante que a pessoa saiba qual produto causou a reação alérgica, para evitá-lo. A longo prazo a escova progressiva pode trazer danos à mulher, mesmo que tenha sido feita de forma correta? Não há evidências desse fato. O cabelo pode ficar mais frágil, quebradiço, porque a escova mexe na estrutura capilar, mas pode-se fazer sem restrição. Os riscos 1) O uso do formol em cosméticos é permitido apenas nas funções de conservante (no limite máximo de 0,2%) e como agente endurecedor de unhas (limite máximo de 5%). Como alisante, o formol age destruindo as moléculas que dão forma aos fios de cabelo e por isso, provoca ressecamento. 2) O uso dessa solução em alisantes resulta em graves riscos à saúde como irritação, dor e queimadura na pele, ferimentos em vias respiratórias e danos irreversíveis aos olhos e ao cabelo. 3) O formol é considerado cancerígeno pela Organização Mundial de Saúde (OMS). 4) O que deve ser observado no rótulo: o número do registro na Anvisa, o modo de uso, o prazo da validade, as advertências e restrições de uso. 5) Os alisantes capilares são registrados para uso comercial e/ou profissional, com concentrações e condições de uso diferenciadas. Quem não atuar na área, não deve adquirir um produto de uso profissional. 6) No salão, observe se o profissional é experiente; se o produto possui registro na Anvisa; E se a substância ativa que será utilizada não vai causar reação com produtos usados anteriormente no cabelo. Tenha certeza de que todas as etapas foram respeitadas e se o tempo de pausa foi obedecido. 7) Os alisantes registrados na Anvisa não têm formol na composição. A legislação brasileira aprova o uso de outras substâncias para alisamento capilar, como: ácido tioglicólico, hidróxido de sódio, hidróxido de lítio, carbonato de guanidina e hidróxido de cálcio. 8) Se perceber que o profissional vai usar formol, a cliente deve se recusar a fazer o tratamento e acionar o órgão de Vigilância Sanitária de sua cidade.

Agencia Estado,

17 Abril 2007 | 10h57

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