Após mortes, polícia intensifica abordagem a motociclistas em  GO

Doze mulheres foram baleadas por homens em motos em Goiânia; após disparos, agressores não levaram nenhum objeto das vítimas

Marília Assunção, Especial para O Estado

05 Agosto 2014 | 16h39

GOIÂNIA - Entre as medidas adotadas pelas autoridades da Segurança Pública em Goiás para conter a misteriosa onda de assassinatos de mulheres em Goiânia, de janeiro para cá, está a intensificação das abordagens a motociclistas com o dobro de bloqueios e blitz em relação ao mesmo período do ano passado. 

Doze mulheres foram atacadas - 11 delas morreram e uma sobreviveu - até sábado. O número pode subir para 13 vítimas se outro homicídio, com dinâmica parecida, e ocorrido em fevereiro, for incorporado às investigações. 

Dos 12 casos considerados nas investigações, 10 mulheres levaram tiros no peito, mas algumas foram alvejadas mais de uma vez e em outros pontos do corpo. A maioria delas tinha cabelos longos e era morena. A mais jovem tinha 13 anos de idade e a mais velha 29. A 13ª vítima também teria sido atacada por um motociclista, mas o caso, segundo a assessoria da Polícia Civil, ainda está sob análise.

Os crimes se destacam entre 40 homicídios vitimando mulheres este ano na capital goiana porque as características do autor e das vítimas são parecidas, chamando a atenção para assassinatos em série cometidos por um ou mais de um motociclista usando moto preta ou vermelha que saca a arma e simplesmente atira, sem levar nada da vítima.

Familiares de uma das mulheres estariam oferecendo recompensa de R$ 10 mil por pistas que levem ao autor do crime, segundo publicou nesta terça-feira o jornal O Popular. São os parentes da assessora parlamentar Ana Maria Víctor Duarte, assassinada aos 26 anos na frente do namorado e de uma amiga, na porta de uma lanchonete no Setor Bela Vista. 

A irmã da vítima, Lívia Duarte, 34, que é policial civil, vê semelhanças entre o homicídio que vitimou Ana Maria e outros três ocorridos em bairros próximos. A irmã solicita que as informações sejam repassadas à Polícia Civil de Goiás pelo telefone 197.

Nesta terça na Polícia Civil as autoridades que chefiam as investigações evitaram falar sobre detalhes dos crimes. Uma das informações mais solicitadas, e ainda não repassada, por exemplo, é quanto à balística, indicando qual arma, ou armas, e seus calibres, estão ligadas às mortes das jovens. 

A polícia tem divulgado alertas sobre várias mensagens que estão sendo postadas em redes sociais falando de mais mortes de mulheres, e que teriam o intuito de espalhar o pânico, acabando também por estimular "imitadores" do real autor ou autores. Um grupo organiza uma manifestação para os próximos dias exigindo a apuração dos crimes.

Características. As mulheres foram mortas em locais públicos, como praças, no trânsito e até em ponto de ônibus, como a última vítima, a adolescente Ana Lídia de Souza, de 14 anos de idade. Nesta terça, foram divulgadas imagens de câmeras de segurança instaladas em residências ou comércios próximos do local do homicídio que mostram a garota atravessando uma rua e logo depois a passagem de um motociclista que pode ser o autor do homicídio. Ele passa uma vez lentamente e depois retorna bem rápido. 

Alvo de críticas, a Secretaria de Segurança Pública de Goiás reforçou a equipe que está investigando os crimes em série. A força-tarefa aumentou de 9 para 15 o número de delegados que já atuam na Delegacia de Investigações de Homicídios. Também foram chamados mais 15 policiais civis e mais oito escrivães para intensificar a apuração dos casos. Nos últimos dias, a SSP também anunciou a colocação de mais 568 soldados temporários como reforço na tropa da PM.

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