Após noite e confrontos com a PM, manifestantes voltam às ruas de São Luís

Estudantes interditam avenida e outros protestos estão marcados para esta tarde

Ernesto Batista, Especial para o Estadp

25 Junho 2013 | 11h21

SÃO LUÍS - Depois de uma noite de confrontos entre manifestantes e a tropa de choque da Polícia Militar do Maranhão, São Luís amanheceu calma, mas na expectativa de novas manifestações marcadas para esta terça feira, 25. Ainda no começo da manhã, cerca de 100 estudantes de uma escola estadual interditaram a Avenida dos Portugueses, que foi fechada três vezes na segunda-feira, 24, e foi desobstruída a força pela tropa de choque. Os estudantes pedem mais professores e melhorias na educação.

Outros protestos estão previstos para a tarde. Policiais militares estão monitorando o movimento na Avenida dos Portugueses e o comando da PM divulgou que mobilizou 400 policiais militares para acompanhar as manifestações.

A deputada estadual Eliziane Gama (MD-MA), apontada como possível candidata ao governo estadual em 2014, disse que foi vítima da truculência policial, ao tentar socorrer uma estudante que passou mal em um dos piquetes montados pelos estudantes na Avenida Jerônimo de Albuquerque, uma das mais movimentadas da capital.

"Eles agridem a juventude! Eu passava por lá e vi os absurdos! Me impediram de socorrer uma jovem desmaiada!", escreveu a parlamentar em seu Twitter e onde também informou que chegou a receber ameaças de um oficial da PM-MA.

O saldo dos confrontos desta segunda-feira foi de seis feridos (entre policiais e manifestantes), nove manifestantes presos e um ônibus apedrejado.

Os palácios dos Leões e La Ravardiéré - sedes dos governos estadual e municipal, respectivamente - o prédio da Secretaria Municipal de Turismo, cinco agências bancárias foram depredados. A sede e um veículo da afiliada da Rede Globo, em São Luís, também sofreram danos durante os protestos e a sede da Fundação Nacional da Saúde (Funasa) está ocupado por cerca de 150 indígenas.

Confrontos. Foram registrados choques entre manifestantes e polícia em quatro pontos da cidade. O primeiro confronto foi registrado pela manhã para desobstrução da Avenida dos Portugueses ocupada desse as 5h da manhã. À tarde os manifestantes enfrentaram a tropa de choque, mas a avenida foi desobstruída.

Os manifestantes - em sua maioria moradores da área Itaqui Bacanga, uma das mais populosas da capital maranhenses - voltaram a ocupar no início da noite a via e entraram em confronto com a PM novamente. Desta vez, o saldo foi de quatro detidos e um policial ferido. A via só foi liberada por volta das 21h, depois do uso de gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral e balas de borracha.

Do outro lado da cidade, na Cidade Operária, um grupo de quase 3 mil pessoas interditou o retorno da Avenida Lourenço Vieira da Silva, pedindo melhorias na infraestrutura urbana da região e lá também houve choque entre manifestantes e polícia e um ônibus foi apedrejado. O impasse durou cerca de três horas, mas até as 19h a região voltou a ficar pacifica e os manifestantes se dispersaram.

Na zona nobre da cidade, quase 3 mil estudantes, em sua maioria alunos de universidades particulares, saíram em passeata pela Avenida Jerônimo de Albuquerque e entraram em confronto com a PM em dois locais: na frente da Assembleia Legislativa, onde houve uma tentativa de invasão, e no Retorno da Cohama, onde os manifestantes obstruíram a via pública até as 23h desta segunda-feira, e foram dispersados pela tropa de choque a força.

 Os PMs lançaram gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral e usaram spray de pimenta dentro de um terminal rodoviário e entre os veículos que estavam no congestionamento gerado pela manifestação. No episódio, três pessoas foram detidas e cinco pessoas ficaram feridas. Outras duas pessoas haviam sido detidas pela polícia ainda na concentração, em frente a um shopping de São Luís, denunciados pelos próprios manifestantes por estarem portando bombas caseiras e fogos de artifício.

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