Após nova agressão, Marcelo Yuka descarta sair da Tijuca

Em 2000, músico foi baleado e ficou paraplégico após um assalto; ele foi vítima de arrastão em 2005

Pedro Dantas, O Estado de S. Paulo

02 de março de 2009 | 16h30

Paraplégico desde que foi baleado durante uma tentativa de assalto em 2000, o músico Marcelo Yuka, de 43 anos, tentará fazer o retrato falado de pelo menos um dos dois assaltantes que o arrancaram do carro e o agrediram na manhã de sábado na Tijuca, zona norte do Rio, quando tentaram sem sucesso levar sua picape Cherokee, adaptada para deficientes físicos.  Mesmo após a nova agressão, ele anunciou que não pretende se mudar da Tijuca, bairro cercado por várias favelas.   Veja também: Marcelo Yuka é agredido durante assalto   Com dificuldade de dirigir o veículo, os bandidos abandonaram o carro, mas levaram o celular do ex-baterista do Rappa, que registrou a ocorrência na polícia. "Não vou entrar nesta onda de parte da sociedade que confunde Justiça com vingança. Quero Justiça", ressaltou Yuka. No verão de 2005, ele estava na mesma região e foi vítima de um arrastão. Os assaltantes chegaram a apontar a arma para o músico, mas nada foi levado. "Eles desistiram. Não tenho certeza se me reconheceram", lembrou.   Yuka contou que foi abordado por homens, que aparentavam cerca de 30 anos quando voltava da Lapa, região boêmia do centro do Rio, por volta das 6 horas. O motorista e o enfermeiro dele o acompanhavam. Eles saltaram para ir ao caixa eletrônico e o músico ficou sozinho. "Não durou mais de dez minutos. O que mais me assustou foi a abordagem. Muitas pessoas saem do Rio e até do Brasil por este trauma. Eles foram muito agressivos", lamentou o baterista.   As agressões contra Yuka começaram quando ele disse aos assaltantes que não andava e seria impossível sair do carro sozinho. "Acho que eles não acreditaram. Levei socos na cabeça e nas costelas. Quando tentaram me arrancar e minhas pernas ficaram dentro do carro, notaram que realmente tinha algo de errado comigo", lembrou o músico.   No entanto, os criminosos apenas jogaram as pernas do músico fora do carro e a deixaram sob as rodas. "Tentei me mover, mas era impossível. Minha maior preocupação naquela hora era com as minhas pernas. Pensei que seria um novo João Hélio (Fernandes, de 6 anos, morto ao ser arrastado pelos subúrbios do Rio em 2007)", recordou Yuka. Ele ainda luta para voltar a andar e interrompeu em dezembro a fisioterapia devido a uma infecção urinária.   O calvário do músico terminou quando os assaltantes não conseguiram ligar o veículo. "Um disse para o outro que não sabia dirigir o carro. Eles saltaram e foram embora. Um voltou para retirar minhas pernas sob as rodas. Em 2000, quando tomei os tiros não pensei que ia morrer e eu estava bem machucado. Desta vez me mantive ainda mais calmo. Só pensei que corri risco de morrer depois", avaliou o artista, que prepara seu primeiro disco solo.   Ativista da ONG Brigada Organizada de Cultura Ativista (Boca), que atua na recuperação de detentos do cárcere da 52ª Delegacia de Polícia de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, Yuka disse que continuará o trabalho social. "Pela idade, acho que os dois que me assaltaram era reincidentes, por isso acho importante o trabalho nos cárceres cujas condições são piores que a de um zoológico", opinou.   O músico criticou a política de segurança pública do governo estadual. "Isso vai dar mídia e a polícia colocará uma patrulha no local. Em breve, a viatura some. Queria um patrulhamento inteligente há nove anos (quando foi baleado). Não há inteligência na polícia do Rio. Tiros não acabam com tiros. Não vejo a tal invasão social prometida com a educação e a saúde subindo os morros", concluiu.   Atualizado às 18h38 para acréscimo de informações.

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