Após obras, Municipal quer ter bar voltado para a rua

Irmãos Campana fizeram projeto do novo espaço, que passa por reformas

Rodrigo Brancatelli, O Estadao de S.Paulo

11 Julho 2009 | 00h00

Três focos de luz bem quentes iluminam as mãos de Cristiano Alberto Gimenez, pintor de 36 anos. Não há público, não há palmas, não há nem um burburinho sequer. Ainda assim, com um pincel bem fininho, seus dedos bailam de um lado para o outro, fazendo rodopios, dançando para cima e para baixo, desenhando formas complicadas e pintando contornos perfeitos. Ali, num canto silencioso do Teatro Municipal de São Paulo, em meio a tábuas de madeira e latas de tinta acrílica, Cristiano é uma espécie de artista solitário. E as paredes do teatro, o seu palco particular. O pintor de mãos rápidas e olhos que não cansam mesmo com horas de trabalho a fio é um dos 60 funcionários que participam hoje no restauro do Teatro Municipal, uma das principais obras do Francisco de Paula Ramos de Azevedo, inaugurado em setembro de 1911. Cerca de 1.500 metros quadrados da fachada estão sendo reconstituídos, com o mesmíssimo arenito usado na construção, vindo especialmente da Fazenda Ipanema, em Sorocaba. Máscaras, flores, conchas e liras que enfeitam a entrada foram todos refeitos. O salão nobre, inspirado na galeria de vidros do Palácio de Versailles, também passa por reformas. Pisos ainda foram consertados, o palco vai ganhar equipamentos mais modernos, peças folheadas a ouro passaram por novo douramento, ferragens foram trocadas e vitrais acabaram sendo retirados para uma revitalização que deve deixar o teatro praticamente idêntico ao do dia de sua abertura - quando 20 mil pessoas aglomeraram-se no centro e causaram o que é conhecido hoje como o primeiro congestionamento de São Paulo. A obra só deve ser concluída entre o fim do ano e começo de 2010. Mesmo com tantas intervenções, a principal novidade talvez esteja nas mãos de Cristiano Gimenez. Por quase oito horas seguidas diariamente, ele e seu pincel fininho dão nova vida à diversas pinturas decorativas nas paredes internas do restaurante do teatro, que datam de 1911 mas que estavam escondidas por uma camada de tinta. Os desenhos, que mostram motivos geométricos e decoração floral, estavam quase imperceptíveis e passam agora por uma reconstituição total. Quando tudo estiver pronto, o restaurante deve ser reaberto para o público, independente da programação cultural do teatro, agora com formato de bar e projeto dos designers Humberto e Fernando Campana. "Eles são fãs do Municipal e já fizeram um esboço do projeto, agora vamos ver se conseguimos patrocinadores", diz Beatriz Amaral, diretora do Teatro Municipal. A ideia é que móveis antigos da Prefeitura sejam restaurados e recebam desenhos que são do repertório dos Campanas, como, por exemplo, a cadeira Corallo e o armário Scrigno. "Uma porta vai se abrir para a varanda, fazendo um lounge que ficará aberto para quem vier da rua. Assim, o teatro ficará ainda mais integrado com São Paulo."

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