Após ordem de Dilma, Temer e ministros defendem colega

Vice reitera confiança no titular da Casa Civil, enquanto Cardozo e Lupi dizem ver 'mais fumaça que fatos' contra Palocci

Daiene Cardoso, Elder Ogliari e Evandro Fadel, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2011 | 00h00

A missão dada pela presidente Dilma Rousseff começou a ser cumprida. Um dia depois da ordem de contra-ataque às denúncias que atingem o titular da Casa Civil, Antonio Palocci, o vice-presidente Michel Temer e outros ministros do governo saíram ontem em defesa do petista, acusado de multiplicar seu patrimônio por 20 no período em que manteve uma "consultoria econômico-financeira", a Projeto.

Em São Paulo, depois de viagem oficial à Rússia, Temer manteve a posição de "confiança" no ministro, como havia dito no domingo. "Confiamos no Palocci e eu continuo com a mesma disposição de confiança absoluta no ministro Palocci", afirmou o vice-presidente, antes de dar uma palestra em evento do Instituto dos Advogados de São Paulo, no Jockey Club de São Paulo.

Ao contrário de Dilma, que em conversas ao longo da quinta-feira determinou "assertividade" nas respostas em defesa de Palocci e disse ver uma campanha de "difamação" nas acusações contra seu ministro, Temer evitou dar opinião nesse sentido. "Se é uma campanha ou não, não sei dizer", desconversou.

Ministros como José Eduardo Cardozo (Justiça), Miriam Belchior (Planejamento) e Carlos Lupi (Trabalho) aproveitaram seus compromissos públicos pelo País para defender o colega da Casa Civil. Em Porto Alegre, depois de almoçar com o governador Tarso Genro (PT-RS), Cardozo negou que o governo esteja blindando Palocci.

Para o ministro da Justiça, falta substância às acusações. "Não vi absolutamente nada de ilegalidade ou imoralidade", afirmou. "Há muita fumaça e poucos fatos colocados."

Questionado sobre a variação do patrimônio de Palocci, Cardozo reiterou que "o enriquecimento com causa não é punível no sistema brasileiro". "O que é punível é o enriquecimento sem causa", argumentou.

Mais lacônica, mas não menos enfática na defesa do colega, Miriam Belchior disse que "o ministro Palocci já deu esclarecimentos, adotou os procedimentos indicados pela Comissão de Ética e agora mandou informações à Procuradoria-Geral da República". Questionada pelos jornalistas se o governo está confortável com a situação, respondeu apenas que "sim".

"Barulho". Para o ministro do Trabalho, as acusações contra Palocci não passariam de "barulho" da oposição para desestabilizar o governo. "A oposição sempre fez esse trabalho. O tom da oposição é criar barulho", avaliou Carlos Lupi.

Segundo o ministro, o chefe da Casa Civil já respondeu às acusações. "Tudo que ele tem está declarado no Imposto de Renda, a empresa dele é registrada, tem CGC", alegou.

Lupi afirmou que qualquer pessoa que exerça cargo público "sempre tem essas dificuldades de ter sua vida vasculhada, investigada". "Cada um de nós tem que saber responder, cada um de nós tem que ter competência para isso", frisou. O ministro esbanjou confiança no fim da crise política. "Não é marola que vai fazer a gente desistir."

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