Após pane, passageiros desembarcam de navio no Uruguai

Incêndio em geradores na sala de máquinas do Costa Romântica interrompeu viagem do Rio a Buenos Aires

Adriana Carranca, O Estado de S.Paulo

27 Fevereiro 2009 | 00h30

Os passageiros do Costa Romântica começaram a desembarcar do navio em Punta Del Este por volta das 20h30 de quinta-feira, 26. A embarcação teve problemas em um dos quatro geradores elétricos, o que provocou um incêndio na noite de quarta-feira. Além do susto, apesar de o fogo ter sido controlado, os passageiros relataram apuros vividos durante as 24 horas em que o navio ficou ancorado em alto-mar, a 12 quilômetros da cidade, no Uruguai.   Navio com brasileiros não tem previsão de partida do Uruguai   Para evitar a fumaça, eles tiveram de subir para o convés, ficando ao relento e no escuro, por causa de um blecaute. Os 1.479 passageiros – entre eles 338 brasileiros – ficaram sem ar-condicionado, os banheiros não funcionavam e os tripulantes tiveram de improvisar apenas um lanche. A luz de emergência foi acionada, segundo a Assessoria de Imprensa da Costa Cruzeiros, mas não seria suficiente para todos os serviços.     O Costa Romantica saiu do Rio na segunda-feira e deveria ter aportado na manhã de quinta-feira em Buenos Aires. Após o problema ter sido resolvido por dois técnicos da Marinha uruguaia, o navio levantou âncora às 19h15 (horário de Brasília) e os passageiros começaram a desembarcar por volta de 20h30. De acordo com a Costa Cruzeiros, havia ainda duas opções para a remoção dos passageiros: usar rebocadores para mover o navio ou ferry boats para o resgate.   A empresa garantiu que os clientes seriam hospedados em hotéis de Punta del Este e Montevidéu e teriam providenciado o transporte até Buenos Aires. A empresa também afirmou que "as condições sanitárias e de segurança a bordo do navio estão sendo rigorosamente controladas". Não houve feridos.   Direitos dos brasileiros   De propriedade da companhia italiana Costa Crociere S.p.A., o navio foi construído pelo estaleiro Veneza Fincatieri em 1993. Reformado em 2003, tem capacidade para 1.680 passageiros e 590 tripulantes. O fato de ter bandeira italiana e de estar em águas uruguaias não tira direitos dos brasileiros. "O que vale é a lei do país onde a obrigação entre empresa e cliente se constituiu, onde o pacote foi adquirido", disse o diretor de Atendimento do Procon, Evandro Zuliani.   Entre os direitos está o reembolso em espécie (uma nova viagem, por exemplo) ou dinheiro, proporcional aos dias em que o navio ficou parado. Segundo Zuliani, os passageiros que se sentirem lesados também podem pedir a restituição de despesas ou indenização por danos morais. Em nota, a Costa Cruzeiros informou que oferecerá reembolso equivalente a dois dias do cruzeiro e um crédito de 20% sobre o preço pago para ser utilizado futuramente em cruzeiros. "A empresa pode fazer sua oferta, mas é o cliente quem dá a palavra final", disse Zuliani.   Pai de uma das passageiras, Melquisedeque von Ancken, de São José dos Campos, conta que soube do problema no cruzeiro na quinta-feira de manhã. "Fiquei sabendo pelos jornais. O marido dela deve ter feito uma surpresa, não sabia que eles estavam viajando", conta. Ele é pai de Patrícia von Ancken Aleixo, que viaja com o marido, Rodrigo Aleixo. A surpresa seria um presente de aniversário, comemorado no dia 11 de março. "Não consigo falar com ela. Estão incomunicáveis", diz.   (Com Mônica Aquino, do estadao.com.br)

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