Após passar Natal em aeroporto, jovem curte férias nos EUA

Depois do susto de saber que a filha, Amanda, de 12 anos, passou o dia de Natal sozinha e perdida no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, por conta de falhas da TAM, a organizadora de eventos Clara Monteiro, de 44 anos - que já decidiu processar a companhia aérea -, teme pelo vôo de volta da menina, marcado para o dia 18 de janeiro. Amanda chegou na terça-feira de manhã (mais de doze horas depois do previsto) aos Estados Unidos, onde passará o réveillon e parte das férias com amigos da família.A aventura da garota começou no aeroporto internacional Tom Jobim, no Rio, na segunda-feira. O vôo JJ 8000 da TAM, para São Paulo, onde ela pegaria a conexão para Miami, atrasou mais de uma hora. Amanda acabou embarcando numa aeronave da FAB, o "Sucatão", que havia sido cedido à empresa porque faltaram vagas em seus próprios aviões. Ao chegar a São Paulo, viu-se sozinha - nenhum funcionário da companhia a auxiliou - e perdeu a conexão. A estudante, que estava identificada como menor, teve de esperar até a noite para seguir viagem, para desespero da mãe e do pai, o projetista Reinaldo Pargas, de 45 anos, que acompanhavam seus passos no aeroporto pelo rádio Nextel. "Amanda ligou e disse que estava sozinha. Foi um absurdo, um despreparo total dos funcionários", reclama a mãe. "Ela podia ter sido seqüestrada. A sorte é que é muito despachada, viaja comigo desde que tinha um ano e quatro meses. Se não fosse, ficaria sentada num canto chorando e dizendo `cadê minha mãe?´", continuou. Um casal de passageiros com quem a menina conversara durante o vôo para São Paulo a orientou e Amanda foi levada para uma sala vip - onde ficou, mais uma vez, desacompanhada. Ela está agora em Fort Lauderdale, na Flórida, na casa de amigos de longa data de sua mãe e de seus filhos, a quem considera primos. Na tarde desta quarta-feira, 27, falou ao Estado pelo telefone. Contou que ainda não tinha recebido sua mala, que foi extraviada e entregue pela TAM somente na noite de terça-feira, no endereço de uma outra amiga da família. Extrovertida, a menina, que mora com os pais no Recreio, na zona oeste do Rio, e cursará a 7ª série no ano que vem, disse que não temeu que algo lhe acontecesse no aeroporto. "Não achei que fosse dar nada errado e não tive medo. Foi mais um problema de uma companhia aérea, não foi tão grave", minimizou. "Pelo menos pude falar com meus pais e minhas amigas pelo Nextel. Agora quero curtir minhas férias e aproveitar bastante."IndignaçãoJá a mãe ficou indignada. "Foram vários erros. Quando chegou a Miami, a TAM queria que ela fosse para Fort Lauderdale num shuttle (ônibus fretado) sozinha. Eu reclamei e falei que ela tinha de ir acompanhada de um funcionário da TAM, que falasse português. Também exigi que eles dessem dinheiro para que comprasse roupas (a companhia lhe deu US$ 100)". Clara achou absurdo o fato de a menina não ter recebido ajuda de custo em Guarulhos para se alimentar, já que passou o dia inteiro no terminal.A organizadora de eventos não pôde acompanhar a filha aos EUA porque está trabalhando na produção dos shows que serão realizados na praia de Ipanema na noite de réveillon. A família entrará na Justiça pedindo ressarcimento pelo que a jovem passou. Clara já tinha sido vítima da crise no setor aéreo: em agosto, teve um vôo da Varig cancelado e precisou ficar num hotel em Miami. "Bem diferente da TAM, a Varig, mesmo mal, em seus últimos vôos, fez o melhor que pôde pelos passageiros", lembra. Clara fica tensa só de pensar no retorno da filha ao Brasil, pela TAM. "Não vou dormir na véspera. Perdi a confiança na empresa." Por causa da profissão, a produtora viaja muito. Por isso, sabe que não poderá evitar voar com a companhia no futuro. "Amanda não viaja sozinha de TAM nunca mais na vida. Só de pensar que podia ter perdido minha filha, fico louca." A companhia foi procurada pelo Estado nesta quarta-feira, mas não quis se pronunciar sobre o caso.

Agencia Estado,

27 de dezembro de 2006 | 18h22

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