Após passar por prisão, superintendente do Incra se demite

Em nota, Pires disse que saída ''visa a colaborar com as investigações'' da PF sobre supostos desvios de verbas da reforma agrária

Roldão Arruda, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2011 | 00h00

O superintendente do Incra em São Paulo, Raimundo Pires da Silva, pediu ontem a exoneração do cargo. Ele tomou a decisão quatro dias após ter sido detido pela Polícia Federal, na Operação Desfalque, que apura supostos desvios de recursos do governo destinados a assentamentos da reforma agrária no Estado.

O pedido foi imediatamente aceito pela direção nacional do Incra, que também indicou o funcionário de carreira Guilherme Carvalho para dirigir interinamente o órgão. Em nota distribuída ontem à imprensa, Pires informou que seu desligamento "visa a colaborar com as investigações que ora se colocam sobre esta superintendência".

Na quinta-feira, quando foi detido, juntamente com outras nove pessoas, ele prestou declarações à polícia e foi liberado. Segundo as autoridades, o grupo acusado teria usado associações civis e cooperativas para se apropriar de verbas públicas.

Coincidência ou não, Pires tomou a decisão de se afastar do cargo no mesmo dia em que os funcionários da instituição decidiram entrar em greve para exigir sua demissão. Em assembleia realizada ontem, eles anunciaram que cruzariam os braços a partir de hoje e só voltariam ao trabalho se Brasília demitisse o superintendente.

Pires ocupou o cargo durante oito anos. O nome do sucessor deve ser decidido nas próximas horas, segundo assessores do Incra em Brasília. Os nomes mais cotados são os dos petistas Wellington Diniz e José Baccarin.

O primeiro integra o diretório estadual do PT e é responsável pela secretaria de movimentos sociais. Há algum tempo tem se apresentado como candidato ao cargo, com o apoio de organizações de sem-terra. Segundo avaliações de funcionários da superintendência, ele daria continuidade à administração de Pires.

Baccarin já foi prefeito de Jaboticabal e dá aulas no curso de agronomia da Unesp. Seu padrinho na disputa pelo cargo seria o atual ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante.

Representantes dos funcionários do Incra defendem a indicação de um servidor de carreira.

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