Após perder 7 companheiras, tricoteiras retomam manta

No meio da manifestação, uma faixa exibia a foto e homenageava as vítimas do acidente do Airbus A320

Elder Ogliari, Estadão

25 Julho 2007 | 22h55

As "tricoteiras dos precatórios" voltaram à Praça Marechal Deodoro, diante do Palácio Piratini, nesta quarta-feira, oito dias depois de perderem sete companheiras no vôo 3054 da TAM. Em meio a uma faixa preta, 20 senhoras idosas retomaram a confecção de uma manta que vai crescer até o dia em que conseguirem receber os créditos que têm do Estado, todos já reconhecidos pela Justiça. Cerca de 50 pessoas ligadas ao Sindicato Servidores Públicos Aposentados e Pensionistas do Rio Grande do Sul (Sinapers) apoiaram o ato.   A nova manta inicia com o que sobrou da anterior, um pedaço de 1,3 metro guardado pela aposentada Dalila de Souza Gonçalves, de 60 anos, que também foi a São Paulo, mas pela Ocean Air. "Isso é um símbolo, eu fiquei com a missão de recomeçar a luta", afirmou Dalila. Os outros 200 metros, portados pelas sete vítimas, se perderam no acidente.   No meio da manifestação, uma faixa exibia a foto e homenageava as sete tricoteiras e mais cinco pessoas ligadas ao Sinapers e também ao Sindicato dos Técnicos-Científicos (Sintergs) mortas no desastre aéreo. Todas iam participar do lançamento do Movimento Nacional Contra o Calote Público.   A pensionista Maria Helena da Silva, de 75 anos, anunciou que vai participar rotineiramente do tricô das quartas-feiras diante do Piratini. Antes ela não era muito assídua porque estava se recuperando de uma cirurgia. "Quando eu não puder vir, vou tecer em casa, para dar minha contribuição à manta para que não morram mais pessoas esperando seus direitos", avisou.   A corretora de seguros Neusa Moura, 43 anos, se juntou ao tricô e promete continuar nele para homenagear sua mãe, Adelaide Helegda Moura, 73 anos, enterrada na terça-feira. "Minha mãe passou por oito cirurgias e mesmo assim se entusiasmava para vir aqui às quartas-feiras, tanto pela luta quanto pelo convívio com suas companheiras", comentou.   Ao saber do protesto, a governadora Yeda Crusius (PSDB) decidiu receber um grupo de manifestantes em seu gabinete. Uma comissão formada por dez pessoas atravessou a rua, entrou no Palácio Piratini, destacou que o Estado deve R$ 2,8 bilhões de precatórios e pediu pressa na solução do problema, para que os credores recebam seus direitos em vida.   Yeda disse que um grupo do governo já vinha negociando soluções com advogados dos servidores, afirmou que a limpeza do passivo é prioridade, mas admitiu que isso só vai acontecer quando conseguir equilibrar as finanças do Estado. Quase ao mesmo tempo, a Secretaria da Fazenda estava anunciando que parte dos salários de julho será paga com atraso, como vem ocorrendo desde março.

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