Reprodução/Twitter
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Após polêmica, Planalto determina retirada de cartazes da campanha 'Gente boa também mata'

Material será substituído por outras peças publicitárias que não deverão conter imagens de pessoas como inicialmente divulgado

Erich Decat, O Estado de S. Paulo

04 Janeiro 2017 | 23h15

Após polêmica em torno da nova campanha de trânsito, a Secretaria Especial de Comunicação da Presidência da República (Secom) determinou a retirada "imediata" dos cartazes que foram distribuídos em mobiliários urbanos de várias cidades do País. 

O material será substituído por outras peças publicitárias que não deverão conter imagens de pessoas como inicialmente divulgado. Com o slogan, "Gente boa também mata", os anúncios associam crimes de trânsito a pessoas que praticam boas ações, alertando que todos podem cometer imprudências no volante. 

"Ao levar essas peças para o cartaz houve um equivoco. A comunicação não foi bem feita. E por isso determinamos a retirada desse cartazes e as imagens que estão associadas", afirmou o secretário de Comunicação da Presidência, Márcio Freitas. "Fizemos uma reunião com a agência nessa terça-feira e determinamos a imediata substituição deles. A agência já está providenciando isso. Tem que se fazer a confecção de novas peças", completou.

Segundo ele, a confecção e distribuição das novas peças não acarretarão em novos custos ao governo. Freitas ressalta ainda que as mudanças só deverão ocorrer no material impresso e não deve se estender ao vídeo que também integra a campanha.

Procurado pela reportagem, o ministro dos Transportes, Maurício Quintella Lessa, destaca que a campanha não foi idealizada pela pasta e cita também como um dos maiores problema as imagens inseridas do material impresso. 

"Essa campanha não é do ministério dos Transportes, é uma campanha produzida e gestada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República. A comunicação do ministério só teve acesso ao vídeo, que no contexto é bom. O que deu problema, o que polemizou, foram as peças apresentadas de forma isolada. Por exemplo, o banner com a frase de que quem adota animais também mata. Se você ler isoladamente, parece que a pessoa também mata animal. Deu problema também o banner que tem a frase 'porque o melhor aluno da sala também mata' e na imagem foi colocado um negro. Já estão dizendo que somos racistas", afirmou ao Estado Quintella Lessa.

Segundo ele, desde o fim de semana tem acompanhado com pesquisas internas o impacto da nova campanha.

"O monitoramento mostra que é uma campanha polêmica e com muito mais efeito negativo do que positivo. Por isso, liguei para o Márcio Freitas na segunda-feira e disse que na minha opinião a campanha tinha que ser retirada, mas a Secom defende a manutenção", ressaltou o ministro. "Ontem à tarde voltei a procurá-lo porque é o ministério que está na linha de tiro. Eles se comprometeram a mudar as peças dessa primeira etapa. Solicitei também que eles retirassem a assinatura do ministério. Eles retiraram e estão mudando as peças", emendou.

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