Após posse deJobim, políticos comentam nomeação

Novo ministro da Defesa substitui Waldir Pires, que deixou cargo após desgate pela crise aérea

25 Julho 2007 | 20h20

O novo ministro da Defesa, Nelson Jobim, não encontrará resistência na sua chegada à pasta. Segundo militares ouvidos pelo Estado, o discurso de posse de Jobim agradou porque tocou em três pontos que as forças armadas consideram fundamentais: Jobim disse que quer ouvir as diferentes áreas, avisou que não vai faltar e que haverá unidade de comando. Ele substituirá Waldir Pires, que deixou o cargo após desgate pela crise aérea.   Os ministros do Supremo Tribunal Federal compareceram em peso à cerimônia de posse do novo ministro da Defesa, Nelson Jobim, que presidiu o STF e se aposentou no ano passado no cargo de ministro. Também estiverem presentes alguns parlamentares, como o ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci.   Estiveram no evento, também,  vários ministros, como o da Saúde,José Gomes Temporão, do Turismo, marta Suplicy, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, da Previdência Social, Luiz Marinho, e das Relações Exteriores, Celso Amorim.   Repercussão da posse   "Mande um abraço meu a ele." Essas foram as palavras do presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), ao ser avisado da escolha do colega Nelson Jobim para o Ministério da Defesa. Em viagem ao exterior, o parlamentar só soube da indicação nesta manhã, por meio da imprensa.   O recado foi transmitido ao novo ministro durante a cerimônia de posse no Planalto, nesta quarta-feira. A frase do dirigente resume a forma como a escolha do nome foi tratada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva: sem a participação do PMDB, maior partido da coalizão de governo.   "O Nelson Jobim está indo colaborar com o País. Não se trata de contar algum tipo de cota. Ele é da cota pessoal do presidente. Nós, do PMDB, estamos muito felizes", afirmou à Reuters o senador Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo na Casa. "Tenho certeza de que ele vai contribuir muito, mas não é nenhum tipo de escolha partidária. O PMDB já estava atendido".   O deputado Vic Pires Franco (DEM-PA) disse que "o ministro Jobim tem que ter estatura e comando". "O ministro Valdir Pires tinha estatura, mas não tinha comando. Tem que ter carta branca para colocar os militares nos eixos. Não pode ser um bando de sargento Garcia sem o Zorro para tomar conta", ironizou o deputado.   O tucano Gustavo Fruet (PR) também foi bem humorado ao comentar a entrada no governo Lula e um ministro do governo Fernando Henrique Cardoso. "É mais um tucano para salvar o governo, depois do Meirelles (presidente do Banco Central, Henrique Meirelles)", afirmou Fruet. "O ministro Jobim tem uma oportunidade e um risco. Ele vai ter que mexer na equipe, que assumir com autoridade e poder de decisão", disse o deputado paranaense.   O petista Pepe Vargas (RS) disse que "cabe ao ministro se fazer respeitar". "Não tinha mais condição (de Valdir Pires continuar). Até para preservar a figura extraordinária que ele é. Houve um acúmulo de desgastes", comentou. Sobre o fato de Jobim ter integrado o governo Fernando Henrique, Pepe respondeu. "Eu preferia um ministro do PT, mas não posso negar que o ministro Jobim é um homem competente. O presidente Lula é quem escolhe."   Mais cedo, o presidente da Anac, Milton Zuanazzi, havia dado boas vindas a Jobim. "Seja bem-vindo", disse ele, ao deixar a Câmara, após prestar depoimento à CPI da crise aérea.   (Colaboraram Tania Monteiro e Renata Veríssimo)

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