Após prisão, deficiente auditivo acusado de roubo é libertado

O ajudante de motorista Alexandre Oliveira Pontes, que nesta segunda-feira, 5, completou 20 anos, conseguiu a liberdade provisória no fim da tarde, depois de 13 dias preso em uma cela no 2º Distrito Policial de Londrina, no norte do Paraná. De acordo com a família do rapaz, ele foi preso injustamente, sob acusação de tentativa de assalto a uma loja de conveniências em um posto de combustível. Deficiente auditivo desde o nascimento, Pontes somente se comunica por sinais e, segundo os familiares, esse problema teria levado as pessoas a interpretarem errado seus gestos. "A prioridade agora é ver como está a cabecinha dele", disse sua irmã, Ivani Pontes.Segundo a advogada Michele Bitencourt, que representou o rapaz, na sexta-feira, 2, em depoimento, uma funcionária do posto admitiu que "pode ter havido um mal-entendido". "Não há prova, tanto que foi retirada a queixa", acentuou. "Pelo simples fato de não falar, foi acusado de furto." Ela reclamou não ter conseguido a liberdade imediatamente na Justiça. "No dia 21 (quando foi preso) nós já entramos com o pedido de liberdade provisória, mas não tivemos nenhuma resposta", afirmou. Ela disse que vai preparar uma ação de indenização "contra quem o acusou injustamente". De acordo com a irmã de Alexandre, o rapaz tirou dinheiro de uma agência bancária, por volta das 15 horas do dia 21 de fevereiro, e desceu até o posto, onde comprou um achocolatado. Ele pagou e saiu do local. Ela acredita que, por não falar nada, os funcionários podem ter estranhado sua atitude. Além do fato de ele carregar a carteira na cintura. Ele teria saído do posto e tomado um ônibus, quando foi preso. O proprietário ligou para a polícia falando da tentativa de assalto.ArmaA promotora da 2ª. Vara Criminal de Londrina, Luciana Esteves, disse que o rapaz foi denunciado pelo Ministério Público com base em inquérito no 1º. Distrito Policial, que "concluiu haver indícios de tentativa de roubo". Segundo ela, o proprietário e dois policiais civis, que teriam perseguido Alexandre, disseram que ele dava a entender que estaria armado. Não houve apreensão de arma. O proprietário da loja disse à polícia que o rapaz "dirigiu-se até o caixa, chegando no caixa o indivíduo levantou a camiseta com a mão esquerda, onde conseguiu ver um objeto de cor preta na cintura, sendo que o elemento gesticulando estar armado, fez sinal com a mão direita exigindo dinheiro" (sic).Em razão de "indícios testemunhais", ele foi denunciado. Segundo a Promotoria, o pedido de liberdade foi distribuído para a 3ª. Vara Criminal e a promotora daquela Vara, Sandra Koch, havia dado parecer favorável. Como o processo principal foi para a 2ª. Vara Criminal, o pedido foi remetido para lá, onde, de acordo com a Promotoria, chegou somente nesta segunda. Para o Ministério Público, Alexandre não se fez acompanhar de tradutor porque, ao ser indagado por escrito se iria se manifestar naquele momento ou em juízo, ele optou, também por escrito, pelo juízo, "o que descartaria a necessidade de tradutor para que ele explicasse o ocorrido".

Agencia Estado,

05 de março de 2007 | 19h05

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