Marcos Arcoverde/AE
Marcos Arcoverde/AE

Após protestos no Rio, Laranjeiras amanhece com cenário de destruição

Bairro onde fica a sede do governo, na zona sul, teve agências bancárias, orelhões, pontos de ônibus, postes de sinalização e lixeira quebrados

Clarice Cudischevitch, O Estado de S. Paulo

13 de agosto de 2013 | 14h40

RIO - O bairro de Laranjeiras, na zona sul do Rio de Janeiro, amanheceu nesta terça-feira, 13, com agências bancárias, orelhões, pontos de ônibus, postes de sinalização e lixeira quebrados, após uma manifestação que reuniu cerca de 300 pessoas na noite de segunda-feira, 12.

O protesto teve começou na Candelária, no centro, e seguiu até o Palácio Guanabara, sede do governo do Estado, sem tumulto. A confusão teve início depois de uma reunião entre professores e o vice-governador, Luiz Fernando Pezão. O grupo quis ocupar o Palácio e foi expulso por policiais.

Do lado de fora, houve confronto com a polícia, que usou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes que derrubaram as grades de proteção. A depredação começou depois que o grupo deixou a entrada do Palácio. Algumas pessoas fizeram barricadas de fogo na Rua Pinheiro Machado, que ficou fechada por cerca de quatro horas, e outras ruas do entorno.

Uma agência do banco Itaú na rua das Laranjeiras teve a porta de vidro quebrada. Uma vidraça de um posto de gasolina na Rua Ipiranga também foi destruída e vândalos tentaram arrombar uma banca de jornal na Pinheiro Machado, mas foram impedidos por moradores. A banca, no entanto, foi bastante depredada. "Cheguei em casa e vi na televisão que ela estava sendo destruída", comentou Luiz Carlos Fernandes, dono do comércio. "Vou gastar uns R$ 4 mil para consertar o ar-condicionado e R$ 7 mil só no painel de propaganda. E o governador não vai pagar para mim."

Por volta das 10h, José Carlos, porteiro de um prédio na Rua das Laranjeiras, limpava os cacos de vidro de um ponto de ônibus, que foi quebrado a pontapés. Ele fazia o serviço desde as 3h da manhã. "Não é minha obrigação, mas faço isso para ninguém se machucar." A advogada pensionista Iara Coimbra viu, da janela do seu apartamento, um grupo de mais de dez pessoas mascaradas depredando o ponto e um orelhão ao lado. Ela chegou a chamar os vândalos de "bandidinhos" e pediu para que tirassem as máscaras. "Um deles até tirou", disse.

Funcionários de uma farmácia na rua das Laranjeiras contam que, às 20h, policiais deram ordens para que o comércio fechasse as portas. Gerente de uma casa de ração na Rua Ipiranga, Manoel Faria acha que as manifestações são "excelentes": "Protesto tem que ter todo dia, mas vandalismo não." A vendedora ambulante Maria Pereira trabalha ao lado da agência bancária depredada e contou que os camelôs têm medo das manifestações e que elas atrapalham suas vendas. "Quando vejo que vai ter ato em Laranjeiras, eu nem venho. Acho esses protestos uma palhaçada. O Sérgio Cabral é um ótimo governador, fez um bom trabalho pacificando as favelas, o que queriam mais?"

Segundo a Polícia Civil, um homem foi detido e encaminhado à 9ª DP (Catete), por jogar pedras em policiais militares. Ele foi autuado por perigo à vida ou saúde de terceiros e liberado. O caso foi encaminhado ao Juizado Especial Criminal (Jecrim). O indiciado vai responder em liberdade.

As Secretarias Municipal e Estadual de Saúde não têm registros de feridos durante o protesto. O Corpo de Bombeiros, no entanto, atendeu um homem de 41 anos que ficou ferido por estilhaços de uma bomba de efeito moral. Ele foi encaminhado ao Hospital Souza Aguiar. Além disso, quatro policiais fizeram registro por lesão corporal provocada por pedradas.

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