Após protestos, Rio reduz tarifa de ônibus

Eduardo Paes (PMDB) suspendeu o aumento de R$ 0,20, e a passagem voltará a custar R$ 2,75 a partir desta quinta-feira

Luciana Nunes Leal, O Estado de S. Paulo

19 de junho de 2013 | 20h50

RIO - Na véspera de mais uma manifestação no centro do Rio, que desta vez chegará até a sede da administração municipal, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) suspendeu o aumento de R$ 0,20 nas tarifas dos ônibus, que voltarão a custar R$ 2,75 a partir da 0h desta quinta-feira, 20. Segundo Paes, o governador Sérgio Cabral (PMDB) cancelou o aumento das tarifas de metrô, trens e barcas.

O prefeito afirmou que a redução das tarifas dos ônibus urbanos implicará em cortes de gastos em áreas ainda não definidas. "Haverá um impacto de R$ 200 milhões por ano arcados pelo poder público. Significa escolha de prioridades. Serão R$ 200 milhões a menos investidos em outras áreas da prefeitura", afirmou Paes, que também cobrou medidas federais, como novas desonerações de impostos. "Gera custo e consequência. Vamos pressionar o Congresso e o governo federal para que mais medidas sejam tomadas para o custo de prestar serviços à população de um país cada vez mais urbano seja repartido", completou o prefeito.

"Não é uma medida trivial. Significa um custo e é bom aproveitar a oportunidade para que a sociedade preste atenção neste debate. O Congresso Nacional precisa estudar novas formas de desoneração e é preciso investir em mobilidade nas cidades", afirmou. O prefeito disse que o reajuste para R$ 2,95, agora suspenso, já levava em conta a desoneração do PIS/Cofins determinada pela presidente Dilma Rousseff. Sem esta medida, o preço teria passado para R$ 3,05, informou o prefeito.

Paes disse ter tomado a decisão depois de conversar com o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), e de "refletir" sobre as reivindicações manifestadas na onda de protestos desde a semana passada. O prefeito reconheceu que as deficiências do transporte público e afirmou que a suspensão do aumento de tarifas foi um "sinal de respeito às manifestações". "A gente tem muita consciência que o serviço está muito longe do ideal. É uma demonstração de que os governos estão ouvindo, não estamos surdos às manifestações e aos pleitos, que são legítimos", declarou o prefeito.

Depois de anunciar a volta aos preços das passagens que vigoravam até 1º de junho, Paes disse não ter expectativa de que os protestos sejam suspensos e evitou falar sobre um possível reforço no policiamento do centro administrativo onde funciona a maior parte da estrutura do governo municipal, inclusive o gabinete do prefeito. "Não vamos tentar abafar manifestações. Espero e tenho muita fé que (a manifestação) aconteça com serenidade. Ninguém acha graça em atos de vandalismo. As pessoas que usam um pleito legítimo da sociedade para praticar atos de vandalismo não sabem conviver em ambiente democrático", afirmou.

Segundo Paes, está mantida a decisão de adotar a tarifa única de R$ 2,75 para todos os ônibus urbanos, adotada em 1º de junho, o que resultou em redução no preço de algumas passagens de coletivos com ar condicionado, que custavam até R$ 5,40. No sistema de transporte de responsabilidade do governo do Estado, as passagens do metrô, que tinham subido para R$ 3,50, voltarão a custar R$ 3,20. As tarifas das barcas voltarão ao preço de R$ 4,50 em vez de R$ 4,80. Os trens cairão de R$ 3,10 para R$ 2,90.

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