Após rebelião, menores bloqueiam entrada de instituto no Rio

Um dia após a rebelião que resultou na fuga de 31 menores, os internos do Instituto Padre Severino (IPS), na Ilha do Governador, zona norte, impediram a entrada dos agentes de disciplina que assumiriam a unidade às 7 horas de domingo. Ameaçados de morte, os funcionários registraram o caso na 37.ª DP. Para o promotor da 2.ª Vara da Infância e da Juventude, Márcio Mothé, a situação no IPS é "caótica". "Há um descontrole total, uma bagunça total, um desmando total. As pessoas que assumiram o Padre Severino não têm a postura adequada", disse Mothé. Ele afirmou que todos os menores estão armados.Agentes que estavam no IPS desde as 7 horas de domingo e deveriam ter sido dispensados na manhã de ontem só puderam deixar o trabalho à tarde, substituídos por funcionários de outras unidades. Eles disseram que o clima no IPS é tenso desde o dia 31 de maio, quando 100 menores fugiram após uma rebelião e o ex-diretor Peter da Costa foi exonerado, sob suspeitas de torturas.Em seu lugar, entrou um diretor interino, Marcos Vinícius Pobel. Para os agentes, desde que Benedita da Silva (PT) assumiu o governo do estado, houve relaxamento na disciplina imposta aos menores. "Isso aqui estava funcionando muito bem. Depois que a Benedita entrou, virou bagunça", disse um agente.Em nota, a Secretaria de Estado de Direitos Humanos admite a existência de problemas em seu Departamento Geral de Ações Sócio-Educativas (Degase), ao qual o IPS é ligado. O documento reconhece a falta de agentes e afirma que cerca de 40% a 50% dos funcionários pediram afastamento por razões médicas desde que a nova secretária, Wânia Sant, assumiu, combatendo a prática de tortura. No domingo, havia apenas sete agentes no IPS para mais de 170 internos.A secretária viajou ontem à Brasília a fim de pedir verbas para "ações emergenciais" no Degase. Segundo a assessora Viviane Vaz, desde 1996 não há investimentos no departamento. Ela lembrou que o Rio é o Estado campeão em internações de menores infratores. "No País todo a liberdade assistida funciona, mas ela é praticamente esquecida aqui. O promotor Márcio Mothé deveria lembrar disso antes de fazer essas críticas", afirmou. Viviane informou que o diretor do Degase, Sidnei Teles, não poderia dar entrevista porque estava em reunião com a governadora Benedita da Silva.No domingo, por volta das 14 horas, os menores arrombaram portas, destruíram móveis, eletrodomésticos e materiais da Escola Estadual Padre Carlos Leôncio, localizada dentro do IPS. Trinta e um menores fugiram da unidade e outros nove escaparam do Instituto João Luiz Alves, no mesmo bairro. Desse total, sete foram recapturados. Ontem, funcionárias retiraram material usado no colégio.

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