Após reforma, escola depredada reabre com classes quase vazias

Novas regras na Amadeu Amaral incluem aumento da segurança em 2009

Fábio Mazzitelli, Maria Rehder e Vitor Sorano, O Estadao de S.Paulo

18 de novembro de 2008 | 00h00

Ronda escolar do lado de fora, paredes pintadas, vidros repostos nas janelas, novas grades e apenas 100 dos 270 alunos em sala de aula nos primeiros horários. Desde as 6 horas da manhã, um inspetor identifica todos - funcionários e estudantes - que passam pelos portões. Cinco pais checam a segurança do colégio antes de deixar seus filhos. Foi o clima de volta às aulas da Escola Estadual Amadeu Amaral - fechada desde quarta passada por ter o prédio depredado por alunos que brigaram, acuaram professores e só pararam após intervenção da PM.A Secretaria Estadual de Educação confirmou a transferência de seis alunos - considerados motivadores do conflito - e a avaliação de outros seis casos. A passadeira S.A., mãe de um deles, conta que até ontem seu filho não sabia para que escola será transferido. "Já queria tirar ele dessa escola, mas infelizmente o pior teve de acontecer", disse.L.H.A.B., de 15 anos, que cursa a 8ª série pela segunda vez no colégio, disse que só pretende voltar a estudar no ano que vem. "Falei com o conselho, mas eles não me disseram onde ele vai estudar agora. Só disseram que deve ser nessa região", afirma a mãe do aluno transferido.''CLIMA ESTRANHO''Ao encontrar as classes quase vazias às 7 horas, quatro alunas da 8ª série, membros do conselho de escola, não quiseram assistir às aulas. "Achei bom ter quebrado. Tá tudo novinho agora, parece outra escola, mas o clima tá estranho, não tem quase ninguém", diz E.L., de 14.Apesar de poucos, um grupo de alunos jogou pedras nos fotógrafos do lado de fora. Os funcionários se negaram a falar com a imprensa. Representantes do sindicato da categoria conversaram com os professores. "Eles não estão com medo dos alunos, mas querem mais autonomia pedagógica", disse a diretora Maísa Lima. RODA DE CONVERSAAo meio-dia, na saída do ensino médio, aqueles que tiveram coragem de voltar às aulas contaram que o dia começou com roda de conversa com os professores e direção, que prometeram novos projetos pedagógicos. Regras foram anunciadas, como a proibição de entrada na segunda aula e imposição de um horário limite para os alunos entrarem em sala de aula. A diretoria também promete contratar mais inspetores e seguranças para 2009.

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