Após saída de camelôs, cai criminalidade

Ocorrências diminuíram até 60% no Largo 13, em Santo Amaro, e 22% no Largo da Concórdia, no Brás

Fernanda Aranda e Felipe Grandin, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2013 | 00h00

Depois da retirada dos camelôs das ruas de bairros como Santo Amaro, na zona sul, e Brás, na região central, os índices de criminalidade diminuíram significativamente. Nas imediações do Largo 13 de Maio, em Santo Amaro, por exemplo, roubos e outras ocorrências criminais chegaram a cair 60%. No Largo da Concórdia, no Brás, a queda foi menor, mas também expressiva: 22%."Eu tinha medo de andar aqui pelo Largo 13", diz Terezinha Cordeiro, de 70 anos. A aposentada já foi assaltada duas vezes nesse local. O fim do aglomerado de pessoas é uma das justificativas apontadas pelo coronel da Polícia Militar Álvaro Camilo para a queda nos índices de criminalidade. Ele é responsável pela região do Brás. Nesse local, os 233 registros de furto entre 25 de maio e 15 de julho de 2006 caíram para 182 no mesmo período deste ano - redução de 22%.Em Santo Amaro, a queda foi maior. Nos primeiros 15 dias após a operação, o número de furtos diminuiu 60% em relação ao ano anterior, de 159 casos para 58. "Isso (a retirada dos camelôs) aumenta a segurança, beneficia o comércio e libera o espaço público para a população", disse o subprefeito de Santo Amaro, Geraldo Mantovani.Em operações da fiscalização no Brás, foram apreendidas 50 toneladas de produtos piratas apreendidos, fechados 14 depósitos de mercadorias ilegais, recolhidas 70 barracas e liberados para a população 20 mil metros quadrados de espaço público (o tamanho de três campos de futebol). Do Largo 13, saíram 2 mil barracas.COMÉRCIONo Largo 13, o comércio registrou aumento de 15% desde a retirada dos ambulantes ilegais, de acordo com a Associação Comercial de São Paulo. No Brás, os comerciantes legalizados ainda não sentiram os efeitos positivos das operações. Segundo lojistas da região, os confrontos entre fiscais e camelôs afastam os clientes. O movimento caiu entre 20% e 30%. Eles esperam que, daqui a alguns meses, as vendas voltem a crescer."É normal que o comércio regular caia por causa das brigas", disse o vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo, Roberto Matheus Ordine. Outro defensor do cerco aos camelôs é o superintendente da Associação Viva o Centro, Marco Antônio Ramos de Almeida: "O comércio tem uma função urbana indispensável para uma cidade como São Paulo", afirmou Almeida. "As ações contra os vendedores irregulares estão inseridas em um processo de ?desprivatização? do espaço público, de uma área que é altamente populosa."

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