Após tragédia com avião da TAM, caos aéreo volta ao País

O efeito cascata atingiu todo o Brasil. Até 14h30, 41,7% dos vôos programados tinham atraso de mais de 1 hora

FERNANDA EZABELLA, REUTERS

21 Julho 2007 | 17h04

Quatro dias depois do pior acidente aéreo do País, o caos voltou a se instalar pelos aeroportos brasileiros, prejudicando vôos internacionais, após uma pane de madrugada entre os radares do sistema Cindacta-4, na região da Amazônia. Segundo a Infraero, cinco vôos internacionais que saíram do Aeroporto de Guarulhos tiveram que retornar durante a pane, entre 0h25 às 2h30. Outros vôos que já estavam mais próximos de Manaus foram obrigados a aterrissar na cidade e aguardar.   Aeronaves que tinham o Brasil como destino também foram prejudicadas. O efeito cascata atingiu aeroportos de todo o Brasil. Entre 0h e 14h30, 41,7% de todos os vôos programados tinham atraso de mais de uma hora e 10,6% haviam sido cancelados. Culpando a "readequação da malha" após o acidente com o Airbus do vôo 3054 que transportava 187 pessoas, a TAM cancelou, só neste sábado, 43 vôos. O caos aéreo voltou justamente um dia depois de o governo definir uma série de medidas para desafogar Congonhas, incluindo a restrição de seu uso como ponto de conexões e a construção de um novo aeroporto na região da Grande São Paulo. PROTESTO E CÃES FAREJADORES Enquanto isso, do lado de fora do Aeroporto de Congonhas, onde a aeronave da TAM tentou sem sucesso aterrissar e chocou-se contra prédios próximos ao aeroporto, moradores da região fizeram um protesto, interrompendo por alguns minutos o trânsito da avenida Washington Luís. Vestidas de preto, cerca de 20 pessoas começaram a manifestação levando faixas pretas com escritos em branco, pedindo atitude do governo. No final, cerca de 70 pessoas se juntaram ao protesto, que terminou com uma grande roda ao lado do posto de gasolina onde o avião se chocou. "É um protesto contra esses políticos cara-de-pau que não fazem nada", disse a estudante Barbara Kenya, 18 anos, filha de aeromoça. Mãe e filha levavam uma grande faixa, com os dizeres: "Bombeiros, heróis da pátria. Ajudem-nos a encontrar dignidade." Pela manhã, os bombeiros fizeram um trabalho de ambientação com três cães farejadores, já que os animais nunca tinham precisado identificar fragmentos de corpo humano carbonizados. Segundo o porta-voz do Corpo de Bombeiros, capitão Mauro Lopes, os cães conseguiram encontrar pequenos fragmentos. O capitão disse que os cães labradores foram treinados com sacos residuais de fragmentos, vazios. Desde terça-feira, já foram retirados do local 217 sacos com fragmentos de corpos, sendo três só neste sábado. Os bombeiros começaram a trabalhar nesta manhã na parte de trás do prédio da TAM Express, atingindo pelo avião. "Estamos quase perto do fim", disse Lopes, sobre o trabalho de resgate. O Instituto Médico Legal elevou para 47 o número de vítimas identificadas.

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