Após três anos, Comendador João Arcanjo volta ao Brasil

O bicheiro João Arcanjo Ribeiro, de 57 anos, acusado de integrar o crime organizado em cinco Estados e chefiá-lo em Mato Grosso, foi extraditado para o Brasil no começo da noite deste sábado, 11. Ele está detido em Cuiabá, numa ala federal do Presídio Pascoal Ramos, considerado de segurança máxima. O Comendador, como é conhecido, estava preso em Montevidéu desde 11 de abril de 2003 por falsificação de documentos. Ele já foi condenado a 49 anos de prisão em Mato Grosso e ainda responde a processos por crime organizado, formação de quadrilha, homicídios, lavagem de dinheiro, contrabando e evasão de divisas. Cercado por um forte esquema de segurança, o bicheiro desembarcou às 18h20 do avião da Força Aérea Brasileira (FAB), no Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá. De lá, foi escoltado por cerca de 60 policiais, entre militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope), agentes da PF e Interpol (Polícia Internacional) até o presídio, onde fez exame de corpo de delito. Pelo ar, o preso considerado de alta periculosidade foi seguido por dois helicópteros, num esquema de segurança semelhante ao usado nas transferências interestaduais do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.A assessoria de imprensa da Polícia Militar informou que Arcanjo será monitorado 24 horas no presídio. Ele está numa cela individual que mede 3,18 metros. Os advogados do bicheiro tentaram sem sucesso anular a sua extradição para o Brasil. A secretária Nacional de Segurança, Cláudia Chagas, e o juiz federal Julier Sebastião da Silva, foram semana passada o Uruguai para agilizar a vinda dele para Cuiabá ou Brasília. ImpérioEx-policial civil e segurança, com o dinheiro das atividades criminosas, segundo denúncia do Ministério Público, o Comendador (título conferido pela Câmara de Vereadores de Cuiabá), até então amigo de políticos, juízes, desembargadores e religiosos no Estado, foi um homem influente em Mato Grosso por mais de uma década. Controlador do jogo do bicho e jogos de contravenção, ele, que emprestava dinheiro, por meio de factorings (sociedades mercantis que compram cheques por valores mais baixos que os de face), viu seu império ruir após o assassinato do jornalista Sávio Brandão, dono do jornal Folha do Estado, em 30 setembro de 2002. Em dezembro do mesmo ano, a Polícia Federal deflagrou a Operação Arca de Noé, acolhendo determinação da Justiça Federal, para desarticular atuação do bicheiro em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, São Paulo, Paraná e Minas Gerais. Os inquéritos ainda não foram concluídos.Levantamento dos bens do bicheiro feito pelo juiz federal Julier Sebastião da Silva mostra que o patrimônio estimado é de R$ 2,4 bilhões. Os bens cadastrados - fazendas, aviões, apartamentos, salas comerciais, hotéis, casas e edifícios comerciais - estão indisponíveis. O bicheiro já foi indiciado em nove homicídios ocorridos em Mato Grosso.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.