Após um ano e meio, mães destrocam bebês em Goiânia

Resultado dos exames de DNA confirma que crianças foram trocadas no dia do nascimento

03 de maio de 2010 | 21h32

Elaine e Queila destrocam seus bebês sob forte comoção Foto: Renato Conde/O popular

 

Agência Estado

 

GOIÂNIA - Um ano e meio após o equívoco, duas mães que vivem em Goiás destrocaram nesta segunda-feira, 3, os bebês que acreditavam serem seus filhos, sob clima de intensa emoção.

 

Os meninos passaram de um colo para outro no Juizado da Infância e da Juventude, diante do choro compulsivo de suas mães, três dias depois de exames de DNA comprovarem que eles foram trocados logo após o nascimento, no dia 25 de março de 2009, no Hospital e Maternidade Santa Lucia, em Goiânia.

 

Três técnicas de enfermagem, funcionárias da maternidade, foram responsabilizadas por uma sucessão de erros na identificação dos bebês que culminou na troca e serão indiciadas por subtração de recém-nascido com dolo eventual, segundo a delegada da Delegacia de Proteção à Infância e Adolescência, Adriana Accorsi.

 

Uma das técnicas, Rosemar Correia da Silva, já havia sido indiciada por outra troca de bebês, ocorrida no mesmo hospital, em novembro de 2008.

 

Advogados das duas famílias prejudicadas já anunciaram que vão pedir na Justiça indenização para suas clientes. "Nós vamos sofrer pelo resto de nossas vidas", disse uma das mães, Elaine Gomes de Oliveira Pires, de 28 anos.

 

Mesmo ainda amamentando, Elaine insistiu para que a destroca fosse feita o mais rapidamente possível, para não prolongar o sofrimento e facilitar a adaptação dos meninos.

 

Também com essa intenção, as duas mães e as crianças se encontraram no fim de semana e trocaram informações para conhecer melhor os filhos biológicos. O Juizado da Infância ofereceu apoio psicológico às famílias.

 

A troca foi descoberta no mês passado, depois que uma das mães, Queila Celina dos Santos Fagundes, 22 anos, decidiu fazer um exame de DNA. Os traços e a cor da pele clara despertaram suspeitas no marido, que acusava a mulher de adúltera.

 

Queila chegou a perder o casamento e o emprego até decidir tirar tudo a limpo. O resultado do exame comprovou que o garoto realmente não era filho do casal e a maternidade passou a investigar os bebês que haviam nascido no mesmo dia.

 

A outra criança foi localizada em Teresópolis, município a 30 quilômetros de Goiânia, e novo exame foi feito, desvendando o mistério. "Nós agora somos amigas, irmãs. Temos filhos gêmeos que Deus deu para nós", disse Elaine, tentando se confortar com a situação.

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