Após ver presos com porcos em MS, CPI vistoria presídios de SP

Parlamentares da CPI do Sistema Carcerário vêm a SP para verificar situação de presídios e CDPs

Josmar Jozino, Jornal da Tarde

09 de abril de 2008 | 11h08

Os integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito do Sistema Carcerário desembarcarm em São Paulo nesta quarta-feira, 9, para visitar unidades prisionais mais problemáticas. A situação mais dramática está nos Centros de Detenção Provisória (CDP). A maioria está superlotada: tem capacidade média para 768 presos, mas abriga, em média, 2 mil. Numa cela onde cabem 12 detentos, vivem amontoados em média 40. As unidades mais superlotadas são os CDPs 1 e 2 do Belém e CDP de Vila Independência, na zona leste, e os CDPs 1 e 2 de Pinheiros, na zona oeste da cidade. Segundo fontes do sistema prisional, também estão superlotados os CDPs 1 e 2 de Osasco, na Grande São Paulo. Há informações também de que os deputados vão visitar a Penitenciária Feminina de Sant’Ana, no Carandiru, zona norte, o Presídio Especial da Polícia Civil no Carandiru e o CDP 2 de Pinheiros. A visita acontece depois de a CPI encontrar pelo menos 70 presos dormindo com porcos num chiqueiro na Colônia Penal Agrícola de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. O fato foi descoberto por deputados  que visitaram a unidade, de regime semi-aberto, no mês passado. Em 12 de março, o presidente da CPI, Nelcimar Fraga (PR-ES), e o relator, Domingos Dutra (PT-MA), visitaram a Colônia Penal Agrícola de Campo Grande (MS). Fraga, Dutra e outros deputados ficaram chocados com o que viram. Eles apuraram que pelo menos 70 presos dormem em redes e dividem o pequeno espaço com os porcos numa pocilga. A unidade tem capacidade para 80 detentos, mas abriga 578. Outra parte dos presidiários dorme ao ar livre. PCC Na quinta-feira, 10, os parlamentares realizarão audiência pública na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. Na pauta da CPI, estava agendado o depoimento do detento José Márcio Felício, o Geleião, um dos fundadores do Primeiro Comando da Capital (PCC). O preso deveria falar sobre as atuações das organizações criminosas dentro dos presídios do País. Mas os deputados desistiram da idéia de ouvi-lo. Os deputados também pretendem ouvir dois advogados presos. Deverão participar da audiência pública juízes de Varas de Execuções Criminais, promotores de Justiça, policiais e representantes de OAB, além de Defensoria Pública, Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional e da Pastoral Carcerária.

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