Aposentada cria farmácia comunitária no interior de SP

Cartelas de remédios que sobram nas caixinhas não vão mais para o lixo na Vila Porcel, um dos bairros carentes da zona norte de Sorocaba, a 92 quilômetros de São Paulo. Os moradores já se acostumaram a juntar tudo em um saquinho e encaminhar para a casa da aposentada Ondina Terezinha Maneli Rodrigues, de 73 anos. Há mais de dez anos, ela mantém um variado estoque de remédios para atender quem não tem condições de arcar com a conta da farmácia. São mais de 300 pessoas que todo mês recorrem à farmácia comunitária de dona Ondina."Fico feliz de poder ajudar, mas me entristeço quando não tenho o remédio que a pessoa precisa", diz. Ela também liga para consultórios médicos e clínicas, em busca de amostras grátis. "Fiquei amiga das secretárias e elas fazem o que podem para ajudar." Ondina vive com o dinheiro de sua aposentadoria como costureira, de R$ 350, mais a pensão de R$ 450 deixada pelo marido, que morreu há um ano e meio.A farmácia começou por acaso. "Uma vizinha estava doente e o marido, na tentativa de cura, comprava bateladas de remédio. Um dia ele ia jogar no lixo os que já não serviam e eu pedi." Uma pessoa do bairro precisava daqueles medicamentos e ela fez a doação. Logo recebeu outros pedidos. O marido e os dois filhos passaram a ajudar nas coletas. A farmácia de dona Ondina ficou conhecida. "Antes, eu ia bater nas portas e pedir. Hoje, muita gente já traz aqui", conta, orgulhosa. A clientela deixou de ser só a do bairro. "Vêm pessoas de lugares distantes."Nas três prateleiras que ocupam um cômodo inteiro da casa estão dispostas cerca de 3 mil caixas e embalagens de medicamentos que vão de um simples analgésico a antibióticos caros. Um farmacêutico colabora na organização e na leitura das receitas. Às vezes, ela acaba usando do dinheiro da aposentadoria para comprar um medicamento que falta. É do seu orçamento que sai o dinheiro para a conta do telefone da farmácia - cerca de R$ 150 por mês.Pelo menos dez pacientes precisam de remédios todos os dias. "Não sei o que faria sem essa ajuda, o remédio custa R$ 106 a caixa", diz Tânia Maria de Assis. "Dona Ondina é nosso anjo da guarda."

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