Aposentado é preso por engano em São José dos Campos

A Justiça analisa se o aposentado José Lopes Siqueira, de 42 anos, foi preso por engano em São José dos Campos, na região do Vale do Paraíba. Lopes ficou 87 dias detido no Centro de Detenção Provisória sob acusação de roubo e só conseguiu se livrar das grades depois que a família interveio. O advogado conseguiu provar que a vítima que reconheceu Lopes na delegacia como autor do crime não havia visto o assaltante de perto. O aposentado foi preso no dia 12 de abril quando saía da Secretaria de Assistência Social do município- onde havia ido buscar remédio - e seguia para um tratamento de câncer de boca no GAPC (Grupo de Apoio à Pessoa com Câncer). Na rua Paulo Setúbal foi abordado pela Polícia Militar. "Pediram meus documentos, eu mostrei, e me falaram que eu deveria ir até a delegacia como suspeito de um assalto que tinha acontecido ali perto", afirmou.Na delegacia, onde foram apresentados outros dois suspeitos, o dono do restaurante assaltado, que tinha presenciado o crime à distância, reconheceu Lopes como autor do assalto. O gerente do restaurante, Ailton Alves de Carvalho, que ficou frente a frente com o ladrão não foi registrar a queixa nem fazer o reconhecimento. "Quem fez o reconhecimento não havia visto o ladrão", comentou o advogado Natanael Claro. Reconhecimento O aposentado, em vez de seguir para o tratamento de câncer, foi levado para o CDP. Inconformada com a prisão a irmã de Lopes, Laura Siqueira, decidiu ir até o restaurante. "Levei várias fotos do meu irmão no restaurante e perguntei se o dono, que havia feito o reconhecimento, conhecia. Insisti e ele disse que nunca tinha visto meu irmão". A família conseguiu então uma declaração do proprietário João Alves de Carvalho. No documento ele afirma que se enganou no reconhecimento. Diante da prova Lopes foi ouvido novamente pela Justiça e solto no dia 6 de julho. Apesar da liberdade, ele ainda está apreensivo, já que as testemunhas de defesa só serão ouvidas em setembro e até lá ele está em liberdade provisória. "Quero voltar à rotina, sem preocupação. Continua me tratando e sendo voluntário na casa Recomeço", disse, referindo-se à entidade onde se trata e é voluntário.

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