Apreendidos 100 t de produtos em 3 dias de 'Choque de Ordem'

Agentes da prefeitura junto com Guarda Municipal agiram no Flamengo e na Glória, zona sul do Rio, nesta quarta

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2009 | 15h40

Foto: Marcos D'Paula/AE   RIO - Mais de 100 toneladas de produtos apreendidos e 129 moradores de rua acolhidos foi o resultado de três dias da operação Choque de Ordem da prefeitura do Rio. A reação de ambulantes ao novo prefeito Eduardo Paes (PMDB), que se elegeu com o voto das camadas mais populares, também aumentou. Nesta quarta-feira, 7, a Guarda Municipal fez um cordão de isolamento para evitar protestos após a apreensão de 40 toneladas de mercadorias em um depósito clandestino no Catete, zona sul, e no final da tarde de terça-feira o subprefeito do Centro, Marcus Vinícius Lima, foi agredido com um tapa na cara por uma ambulante não identificada de aproximadamente 60 anos.   Veja também: Prédio irregular é demolido no Rio em ação contra sem-teto Paes e Cabral assinam convênio para aumentar salário de PMs  Rio combate publicidade irregular com 'Choque de Ordem' As promessas de campanha de Eduardo Paes    A ambulante Flavia Cristina Alves de Moura (verde) lamenta o fechamento do depósito de mercadorias   Foto: Marcos D'Paula/AE   As operações de ontem se concentraram no comércio de rua irregular e no acolhimento da população de rua. As péssimas condições de higiene do depósito clandestino na Rua Dois de Dezembro, no Catete, surpreenderam as autoridades. "Encontramos alimentos deteriorados, estocados de forma irregular e sem refrigeração por onde passeavam baratas e ratos", disse o subsecretário de Operações da Secretaria de Ordem Pública, o delegado Carlos Alberto Oliveira.   Os produtos encheram cinco caminhões da Comlurb sob protestos dos ambulantes. "Ele está fazendo isto com pessoas que votaram e acreditaram nele" reclamou a dona de casa Flávia Cristina Alves de Moura, de 30 anos, mulher de um ambulante. O pipoqueiro Alberto Melo, de 65 anos, disse que lamentava pelos R$ 120 mensais para estocar a mercadoria no local. Um ambulantes que não quis se identificar reconheceu que as condições de higiene do local eram péssimas.   Ruas   Agentes da prefeitura carioca levam materiais apreendidos na operação, no Flamengo e na Glória Foto: Marcos D'Paula/AE   Na Rua da Lapa, no centro, um barraco onde funcionava um ferro velho ao ar livre foi desmontado e quinze moradores de rua recolhidos. "Pensávamos que isso nunca iria acabar. Já vimos um mendigo tentar matar outro com um machado, prostituição infantil e até um parto no meio da rua", contou Mário César Silva, de 44 anos, síndico de um prédio em frente ao local onde estava o barraco. A poucos metros dali, nas proximidades do Passeio Público, uma grupo de 10 moradores de rua cheiravam cola sem ser importunado.   No Largo do Machado, na zona sul, cinco pessoas foram recolhidas, entre elas um casal com passagens pela polícia que estava com uma criança de três anos, mas sem documentos que comprovassem a paternidade. O homem que se identificou como pai disse com ironia que a família veio de Santos para o Réveillon no Rio, foi furtada e teve que sair do luxuoso Hotel Glória onde estava hospedada. Os fiscais não acreditaram e a suposta família foi levada para a Delegacia de Proteção a Criança e ao Adolescente Vítima.   Até o início desta noite, seis pessoas foram presas nos três dias de operação. O caso mais grave foi o do taxista Cláudio Teixeira de Souza, 35 anos. Sem habilitação, ele furou o bloqueio e atropelou um fiscal de trânsito, que sofreu escoriações leves. Viaturas da Guarda Municipal e da Delegacia de Roubo e Furto de Automóveis perseguiram e alcançaram o taxista.   Atualizado às 19h55 para acréscimo de informações

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