Apreensões de caça-níqueis superam as de 2007

De janeiro até o dia 19, foram 50.366 máquinas confiscadas, ante 30.531 em todo o ano passado

FABIANA MARCHEZI, RENATO MACHADO e RODRIGO PEREIRA, O Estadao de S.Paulo

22 de novembro de 2008 | 00h00

Enquanto a Prefeitura tenta fechar o cerco contra as casas de bingo, os caça-níqueis continuam presentes em São Paulo. As apreensões da Polícia Civil batem recordes ano a ano. De janeiro ao dia 19 deste mês o Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap) recolheu 50.366 máquinas, 65% a mais do que em 2007 inteiro, quando foram confiscadas 30.531.Na noite de quinta-feira, a Divisão de Operações Policiais (DOP), da Corregedoria da Polícia Civil, realizou uma operação em Santa Cecília, na região central, após denúncias de que policiais civis estariam envolvidos na exploração de caça-níqueis. Os agentes encontraram uma casa de jogos clandestina com 43 máquinas na Rua Albuquerque Lins. Nenhum policial, no entanto, foi preso em flagrante. As máquinas foram encaminhadas ao 77º DP. Segundo a corregedoria, não há investigação para apurar o envolvimento de policiais. "Pode ser que, daqui a uns dias, possamos descobrir a participação de policiais. Mas não foi o que aconteceu ontem (quinta-feira)", diz o delegado da corregedoria, Antônio Freire.A Polícia Militar apreendeu no mesmo dia 32 caça-níqueis em um estabelecimento comercial no Brooklin, na zona sul. Ninguém foi preso, embora as máquinas estivessem ligadas. Testemunhas afirmaram que os clientes e o dono do local fugiram antes da chegada das viaturas. Uma câmara usada para monitorar o estabelecimento vai ser analisada. Essas apreensões recentes, no entanto, significam pouco no acumulado do ano. A maior parte se concentrou em janeiro e fevereiro, quando foram feitas grandes operações e apreendidas cerca de 40 mil máquinas. O último dado repassado pelo Decap foi o de 738 caça-níqueis apreendidos em novembro. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), a queda no número de apreensões significa que as operações dos dois primeiros meses do ano deixaram poucas máquinas na cidade. À época, a polícia afirmava que a máfia dos caça-níqueis movimentava R$ 300 milhões por mês na capital.Só na região do 23º Distrito Policial, em Perdizes, na zona oeste, o ano deve fechar com 400 máquinas apreendidas. Segundo os policiais, a repressão ao jogo fez mudar o perfil de instalação dos equipamentos: eles deixaram de ser expostos próximos das portas para ficar no fundo de pequenos bares, ou até em residências que funcionavam como cassinos. Usando essas artimanhas, alguns bares do centro da capital exploram os caça-níqueis e com isso conseguem aumentar a clientela. Na Rua Araújo, entre a Avenida Ipiranga e a Rua da Consolação, por exemplo, a reportagem flagrou quatro máquinas no piso superior de um estabelecimento. Nesse piso há uma mesa de bilhar e ao fundo existe uma espécie de parede formada com engradados de cerveja. Atrás delas, estão quatro máquinas, que são ligadas todos os dias no início da noite.

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