''Aprenderam a tratar a mulher com respeito'', diz inspiradora da lei

Depois de sete anos, a senhora esperava receber essa indenização? Sim, porque constava nas recomendações da OEA. Então foi fundamental a intervenção da OEA para que o governo brasileiro reconhecesse o erro? Exato. Se sente recompensada?Eu me sinto muito feliz. Por outro lado, é uma indenização simbólica porque preço nenhum paga tudo o que eu passei: as humilhações, o problema de saúde e o fato de eu não poder acompanhar, como toda mãe, o desenvolvimento das minhas filhas. Como a senhora avalia o conjunto de medidas, como a Lei n.º 11.340/06, que foram tomadas a partir da sua denúncia? São importantes, porque são medidas que já deveriam ter sido implementadasNa sua opinião, a sociedade brasileira mudou a forma de tratar a mulher? A sociedade está aberta, aprovou a lei. Ela quer a lei. E esse é um momento muito importante, em que a minha contribuição, com essa denúncia, veio fortalecer as reivindicações das mulheres, que desde a década de 70 davam visibilidade a esse tipo de violência, e nada acontecia.Com a lei que leva o seu nome, o comportamento masculino no Brasil está mudando? Sim. Os agressores estão repensando as suas condutas. Eles são, na sua maioria, pessoas boas, mas que, como foram criadas, achavam que não precisavam tratar a mulher com respeito. Aprenderam a tratar a mulher com respeito.O que a senhora pretende fazer com o dinheiro?Vou quitar minha casa própria, que é financiada.

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