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'Aprendi a lição', diz jovem preso nos EUA por alerta de bomba

Francisco Fernando Cruz, de 23 anos, ficou detido um ano no país: 'tem coisa que não dá para brincar'

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

20 de fevereiro de 2015 | 18h48

SOROCABA - O estudante Francisco Fernando Cruz, de 23 anos, que ficou preso um ano nos Estados Unidos após um falso alarme de bomba, disse que aprendeu a levar as coisas a sério e a não confiar nos amigos. "Aprendi a lição. Tem coisa que não dá para brincar", afirmou, nesta sexta-feira, 20, em Sorocaba, depois de passar a noite com a família.

"Aliás, no primeiro dia eu já tinha aprendido a não fazer isso nunca mais. Também aprendi a não confiar plenamente nos amigos. Foram eles que me induziram a fazer a brincadeira e, depois que fui preso, sumiram."


Cruz retornou ao Brasil na quinta-feira na condição de deportado e, durante a viagem de avião até o Rio de Janeiro, foi escoltado por dois agentes de imigração americanos. Só foi liberado depois de ser entregue à Polícia Federal brasileira no aeroporto de Galeão. Ele disse que foi tratado com rigor na prisão, mas em nenhum momento sofreu ameaça ou maus tratos. O estudante lamentou ter sido levado para o aeroporto com algemas e tornozeleiras. "Eles sabiam que eu não era perigoso, mas sei lá, eles têm suas regras."

O estudante foi recebido por familiares no Rio e tomou voo doméstico com eles, com destino ao aeroporto de Viracopos, no interior de São Paulo. Dali seguiu de ônibus para a casa da família, em Sorocaba. Segundo a mãe do rapaz, Cláudia Cruz, ele dormiu bem à noite e acordou disposto. No início da tarde, foi para um encontro com os amigos na casa de um deles. "Eles praticamente convocaram o Nando, estavam com muita saudade", contou a mãe.

O rapaz, agora, quer retomar a vida no Brasil. Com a prisão, ele perdeu o trabalho e um ano do curso de Publicidade que fazia em Nova Iorque. Na segunda-feira, ele começa a procurar emprego. Impedido de retornar aos Estados Unidos por dez anos, o estudante terá de retomar os estudos no Brasil. "Por mim, não piso mais lá (nos Estados Unidos), mas só o futuro vai dizer", afirmou.  

Cruz foi preso em janeiro de 2014 depois de enviar mensagens eletrônicas ao Departamento de Polícia de Miami e à TAM Linhas Aéreas alertando sobre uma possível uma bomba a bordo. Ele tinha viagem de volta para o Brasil, mas perdeu o voo. Usando o computador de uma universidade, encaminhou um e-mail para a polícia e outro para a empresa aérea alertando que o voo não deveria decolar pois estava marcado para cair, já que haveria "carga perigosa" a bordo.

Em entrevista exclusiva ao Estado, em 2014, Cruz disse que tudo deu errado um dia antes de pegar o voo de volta para Sorocaba - e admitiu que “mente vazia é oficina do diabo”. Ele contou que fez sinal para um táxi para ir ao shopping comprar uma mala, mas um outro passageiro do outro lado da rua chegou antes e pegou. Enquanto esperava pelo próximo táxi numa cidade pequena com poucos disponíveis e muito frio na época, ficou com tempo de sobra nas mãos e entrou na faculdade Montclair State University, em Nova Jersey, perto de Nova York, para se aquecer.

“Eu perdi tudo naquele dia. Perdi o táxi. Perdi a carteira. Peguei o ônibus para o lugar errado”, diz.  Se nada disso tivesse ocorrido, “nunca teria mandado o email”. (leia o perfil completo de Cruz aqui

O alerta mobilizou a polícia americana e a TAM, que teve de fazer uma cuidadosa inspeção no avião. Como nada foi encontrado, o voo foi liberado. Ao embarcar num segundo voo, o rapaz foi detido já dentro do avião - sua mensagem havia sido rastreada e sua imagem ficou no computador que havia usado. Interrogado, confessou a autoria das mensagens e foi condenado a um ano e um dia de prisão por crime previsto na lei americana antiterror. 

O brasileiro poderia ter sido solto em novembro por bom comportamento, mas o processo de deportação atrasou. Ele acabou ficando até a manhã de quinta-feira numa prisão de Atlanta, na Geórgia. Ele não sabe se os efeitos da deportação se estendem a países que mantêm relações com os Estados Unidos. Por ora, isso faz pouca diferença, segundo ele. "Não pretendo sair do Brasil tão logo."

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