Apuração começou em 2004 e flagrou policiais civis

As investigações que culminaram com a descoberta do esquema de compra e venda de sigilos bancários, fiscais e telefônicos começaram em 2004. A primeira célula desarticulada era composta por três policiais civis que trabalhavam em Osasco e por dois empresários da zona oeste da capital. O grupo se especializou em interceptações ilegais de telefonemas. Os investigadores Mauri Lúcio Zeizer, Régis Francisco do Espírito Santo e Geraldo Buscariolli Júnior são acusados de usar ofícios falsos para obter das operadoras de telefonia os grampos. As empresas passavam a redirecionar as chamadas para números de aparelhos fornecidos pelos policiais, que assim passavam a ter uma espécie de extensão da linha grampeada.Para que não fossem descobertos, os policiais forneciam às operadoras números de telefones registrados em nome de pessoas mortas ou que tiveram seus documentos extraviados. Esse foi o caso de Carlos Augusto Batista dos Santos, morto em 19 de março de 2002 no Rio Pequeno, na zona oeste, conforme registrado pelo 51º Distrito Policial. Quem fornecia os aparelhos e os registrava com esse dado cadastral eram os donos da empresa Studio By Cell, Alfeu Alexandre de Souza e Laudenice Alves da Silva.Mais tarde, para "esquentar os grampos", os policiais incluíam os números dos telefones grampeados em ofícios de outras investigações, induzindo a Justiça a erro e obtendo a autorização posterior para a interceptação, como ocorreu com o telefone do candidato a vereador em Osasco Hélio Vieira de Almeida Júnior, espionado em 2004. Além do então candidato, outros 40 telefones teriam sido grampeados dessa forma. Entre as vítimas estão escritórios de advocacia e redes de supermercados. Para a promotoria, é possível que o interesse dos policiais contra as empresas estivesse ligado à espionagem industrial e empresarial.A principal prova contra os acusados foi encontrada em uma busca e apreensão realizada dentro da Studio By Cell. Na ocasião, a polícia localizou caixas dos aparelhos das linhas usadas nas interceptações. Para seu controle, uma funcionária havia anotado nas caixas o número que correspondia a cada aparelho entregue aos policiais e em nome de quem eles haviam sido habilitados.O delegado-geral, Maurício José Lemos Freire, disse que os policiais estão sendo investigados pela Corregedoria. Entretanto, nenhum deles foi afastado de suas funções. Procurados ontem, os policiais não foram localizados.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.