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‘Aqui todo mundo conhece alguém que já foi assassinado’

Em 1.º lugar no ranking das mais violentas do País, Mata de São João tem 102,9 homicídios por arma de fogo para cada 100 mil, mostra 'Mapa da Violência 2016'

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2016 | 00h01

SÃO PAULO -  A cerca de 60 quilômetros de distância de Salvador, capital da Bahia, e dona de um dos litorais mais bonitos do Brasil, Mata de São João sobrevive da indústria do turismo. Segundo moradores, de tão pacífico o local chegou a ser conhecido como “a cidade dos aposentados”. Nos últimos anos, porém, uma escalada de violência tem atingido o município. “Aqui todo mundo conhece alguém que foi assassinado”, diz o jardineiro Gilton Santos, de 58 anos.

 

Em 1.º lugar no ranking das mais violentas do País, a cidade tem 102,9 homicídios por arma de fogo para cada 100 mil, segundo o Mapa da Violência 2016. Só em 2014, foram 45 casos. Isso para uma população que não passa de 45 mil pessoas.

“Agora é morte atrás de morte. Só neste ano foi o ‘Pitbull’, o ‘Geo’, o ‘Guel’, o ‘Fábio’. Tudo assassinado”, conta o motorista Antônio Carlos Cardoso, de 48 anos, “nascido e criado” em Mata de São João. “Conhecido meu, são mais de dez.”

A maior parte das ocorrências está relacionada ao tráfico de drogas e as vítimas são, geralmente, jovens entre 15 e 25 anos, de acordo com os moradores. “Começou de uns cinco anos para cá. Antes a gente não via isso de jeito nenhum. É muito triste”, diz Cardoso.

Segundo Gilton Santos, é comum relatos de homicídios envolvendo disputas por pontos de venda de droga. “O tráfico é o principal problema. São os jovens que estão morrendo baleados. Os criminosos fazem tocaia ou abordam com moto e atiram. Muitas pessoas se sentem inseguras aqui”, conta. 

Em nota, Secretaria da Segurança Pública (SSP) da Bahia afirma que a cidade tem predomínio de vegetação fechada e, por isso, serve “como ponto de “desova” de corpos, elevando os índices registrados”, uma vez que o estudo é feito com base nos dados do Datasus. Também diz que investe na restrutuação das polícias e que os índices da secretaria apontam redução de assassinatos na cidade nos últimos anos.

A SSP da Bahia questiona, ainda, o ranking do Mapa da Violência. Segundo afirma as diferentes metodologias usadas por cada Estado para contabilizar os casos “induz a um erro grosseiro, que expõe os estados transparentes” e “protege àqueles que utilizam de subterfúgios que mascaram a realidade das grandes metrópoles”.

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