CARLA CARNIEL/ REUTERS
CARLA CARNIEL/ REUTERS

Arcebispo de Aparecida pede pátria sem armas, ódio e mentiras durante celebração

Dom Orlando Brandes se manifestou em missa; religioso ainda defendeu a vacinação contra a covid-19 e mostrou-se favorável à ciência

Ícaro Malta, especial para o Estado

12 de outubro de 2021 | 10h48

Durante a homilia na missa solene das nove horas da manhã no Santuário Nacional em Aparecida, no interior de São Paulo, o arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes, relembrou uma mensagem do Papa Francisco durante a sua visita ao Brasil em 2013 e fez um apelo pelo desarmamento.  

O arcebispo começou a sua reflexão mencionando os povos indígenas, negros e as famílias enlutadas pela covid, buscando expandir o gesto simbólico do papa de abraçar o povo brasileiro. Elencando também que crianças e pobres formam o povo, Dom Orlando disse: “Para ser pátria amada não pode ser pátria armada”, e completou, “seja uma pátria sem ódio, uma república sem mentira e fake news”. Ao finalizar a homilia, o arcebispo reafirmou o pedido por vacina e se mostrou favorável à ciência. 

A celebração das nove horas foi a quarta do dia da padroeira em Aparecida. A igreja opera apenas com 30% da capacidade, recebendo 2,5 mil romeiros por celebração. Dentro do santuário o distanciamento tem sido respeitado e uso de máscara é obrigatório. O local espera receber entre 60 e 80 mil fiéis nesta terça-feira, dia das celebrações da padroeira do Brasil. No ano passado, mesmo com as missas fechadas para o público, 30 mil pessoas foram ao santuário. Conforme a prefeitura, o policiamento foi reforçado pelo Estado e 500 policiais vão garantir a segurança, além do cumprimento das regras sanitárias contra a covid. 

Nos dias que antecederam os preparativos para a celebração em Aparecida, quatro romeiros morreram - entre a noite de sábado, 9, e domingo, 10. Eles estavam a caminho da basílica de Nossa Senhora Aparecida.

Em coletiva de imprensa logo após a celebração, o arcebispo foi questionado a quem se destinava a mensagem durante a homilia. Dom Orlando respondeu que a mensagem se destinava a todos. "Eu também pedi 'abraçar as autoridades' porque nós devemos respeitar as autoridades, mesmo discordando". 

O arcebispo completou dizendo que o Santuário fala "em nome do Evangelho, da doutrina social da igreja". Na mesma resposta, Dom Orlando citou duas passagens bíblicas. "Deus tirou o seu povo da ditadura do Egito e da ditadura da Babilônia, para levá-lo a terra da liberdade".  

Questionado se receberia o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) caso ele viesse sem máscara, o arcebispo respondeu: "Nós vamos respeitar o pensamento dele, mas, eu e o padre vamos recebê-lo de máscara".

Aumento do armamento

Durante o governo Jair Bolsonaro, decretos de flexibilização do porte de armas foram publicados, cumprindo as promessas de campanha do presidente. Segundo estudo do Instituto Sou da Paz, desde 2019 foram 31 alterações de normas em relação ao armamento da população no Brasil.

Com essas alterações na legislação brasileira, a concessão de armas a cidadãos comuns subiu 67% apenas no primeiro semestre de 2021, de acordo com dados da Polícia Federal, obtidos via Lei de Acesso à Informação pela agência Fiquem Sabendo. Os  registros mais que dobraram em São Paulo e em outros oito Estados.

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2020 apontou 186.071 novos registros de armas de fogo na Polícia Federal no ano passado – número 97,1% maior em relação ao ano anterior.

Em 2019, as armas foram usadas em 72,5% dos homicídios ao longo do ano. Já em 2020, o índice saltou para 78% do total de 50.033 casos. O aumento de mortes violentas no período foi de 4,8%.

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