Área de busca é ampliada: 41 resgates

Comando pede autorização para entrar em águas do Senegal; em Noronha, começa a identificação de 16 corpos

Monica Bernardes, RECIFE; Angela Lacerda, FERNANDO DE NORONHA, O Estadao de S.Paulo

10 de junho de 2009 | 00h00

Após uma semana de buscas, somente ontem foram recolhidas do Atlântico 17 vítimas da queda do voo 447. Os corpos de outras 16 vítimas chegaram ontem ao Arquipélago de Fernando de Noronha, onde teve início um processo de pré-identificação. No total, 41 das 228 pessoas a bordo já foram resgatadas. Há 25 corpos a caminho da ilha, na Fragata Bosísio. Vídeo explica o papel do submarino francês Acompanhe as notícias das operações Veja a cronologia dos maiores desastres aéreos O comando militar brasileiro informou que, por causa das correntes marítimas, se ampliou a área de buscas. Dessa forma, a partir de hoje os trabalhos se concentrarão mais ao norte de onde se acredita que tenha caído o avião - já avançando pela área sob controle de Dacar, mas ainda em águas internacionais, a cerca de 1.200 km do Recife. O governo do Senegal autorizou a operação.Ontem, os primeiros corpos foram levados pela Fragata Constituição, da Marinha, até próximo de Fernando de Noronha. Ali, os corpos foram içados, um a um, pelos helicópteros H-60 Blackhawk e H-34 Super Puma, da Aeronáutica, que fizeram o traslado dos corpos até a ilha. O primeiro helicóptero aterrissou no aeroporto de Noronha, transportando oito corpos, às 9h45. O segundo chegou ao meio-dia."É algo sinistro, muito triste", comentou o português Antonio Mendes, que chegou como turista no voo 5514 da Trip, pouco depois das 12h. O desembarque ocorreu durante 10 minutos em que foram suspensas as operações de desembarque. "Estamos vivendo um pouco dessa história trágica."Os cadáveres, envoltos em sacos mortuários, foram levados em macas por militares usando máscaras, toucas e batas cirúrgicas, ao hangar do Destacamento da Aeronáutica, onde foi montada a estrutura de pré-identificação - coleta de impressões digitais e material genético para exame de DNA. Também foram tiradas fotos de todos os pertences das vítimas que possam ajudar na identificação por familiares e amigos. As imagens serão distribuídas por internet para todas as superintendências da Polícia Federal, que farão o contato com as famílias. Os corpos, acondicionados em contêiner refrigerado, também foram catalogados.Oito peritos - cinco da Polícia Federal e três da Polícia Civil de Pernambuco - estão encarregados da primeira etapa de identificação, em Fernando de Noronha. A coleta de impressões digitais - quando possível - vai permitir o cruzamento com os dados do Sistema Afis da Polícia Federal. O material genético será examinado em Brasília. O Instituto de Medicina Legal de Pernambuco deve receber os corpos na tarde de hoje. Se for necessário, toda a equipe de 329 datiloscopistas, 105 médicos legistas e 167 peritos será utilizada. Uma equipe composta por cinco legistas que vieram da França desembarcou na noite de anteontem na capital pernambucana. O grupo já coletou todo o material genético dos familiares dos 72 franceses que estavam a bordo (61 passageiros e 11 tripulantes).DESTROÇOSTodos os corpos que forem observados pelas 14 embarcações que atuam na área de resgate serão recolhidos em navios brasileiros e levados para Noronha. Já os destroços que forem recolhidos pelas equipes francesas poderão ser encaminhados diretamente para a Europa ou levados para o continente - onde ficarão à disposição do Escritório de Investigações e Análises sobre a Aviação Civil (BEA).

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