Áreas de risco serão prioridade da Casa Militar, diz coronel

Futuro titular da pasta, que dirigiu corregedoria da Polícia Militar, pretende promover ações preventivas em encostas

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

18 Novembro 2010 | 00h00

Fazer um pente-fino das áreas de risco em encostas no Estado de São Paulo será a primeira medida do novo secretário-chefe da Casa Militar do Estado de São Paulo, coronel Admir Gervásio Moreira, de 58 anos. Homem distante dos palácios e dos gabinetes, a escolha de Gervásio, como é conhecido, está estreitamente ligada ao trabalho executado pelo coronel na direção da corregedoria da Polícia Militar.

Em seis meses, Gervásio conclui os inquéritos mais espinhosos em andamento no órgão, alguns dos quais se arrastavam havia dois anos. Esse foi o caso do assassinato do coronel José Hermínio Rodrigues, ocorrido em 2008 quando o oficial comandava o policiamento na zona norte de São Paulo. Dois meses depois de assumir o cargo, Gervásio anunciou o indiciamento e a prisão de dois PMs acusados de matar o coronel. Eles estariam envolvidos com um grupo de extermínio, os Matadores do 18, e com achaques à máfia do jogo e a traficantes de drogas na região.

"Conversei com o governador (Geraldo Alckmin) e ele me pediu um levantamento das áreas de risco no Estado a fim de efetuar ações preventivas em parceria com os municípios", afirmou o novo secretário ao Estado. O coronel vai cuidar de um orçamento modesto - R$ 35,7 milhões na proposta enviada pelo governo à Assembleia Legislativa, um terço dos quais deve ser gasto com a Defesa Civil - em comparação aos R$ 140 bilhões previstas para o Estado.

As área de mata atlântica e encostas de rios serão as primeiras a serem analisadas no pente-fino. O objetivo é tentar evitar tragédias, como a que destruiu parte de São Luis do Paraitinga, no Vale do Paraíba, em janeiro.

Além da Defesa Civil, Gervásio será responsável pela segurança do governador e dos palácios. Ao contrário de outros ocupantes da pasta, Gervásio nunca trabalhou no Palácio dos Bandeirantes. Seu perfil é do oficial chamado operacional. O homem fez boa parte de sua carreira na corregedoria, de onde saiu como capitão para retornar como comandante. Sua nomeação para o cargo foi uma aposta do atual secretário da Segurança, Antônio Ferreira Pinto, e do comandante-geral da PM, Alvaro Camilo.

Com fama de durão, Gervásio afastou da corregedoria seis capitães e três tenente-coronéis logo que chegou ao cargo. Além de mandar para a cadeia os acusados de matar o coronel Hermínio, ele desmantelou o grupo de extermínio Ninjas da PM, que agia na Baixada Santista e reuniu provas contra dois oficiais supostamente envolvidos em execuções de suspeitos detidos por equipes da Força Tática de batalhões na cidade de São Paulo.

Católico, casado e pai de dois filhos, Gervásio era o único negro entre os 54 coronéis quando recebeu a patente. Disse que nunca sofreu racismo na PM. Para quem o suceder na corregedoria, deixou um recado: "Há muito trabalho ainda para ser feito aqui."

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