Áreas rurais da região serrana do Rio seguem sem água e energia

Recuperação total da produção nos lugares devastados pode levar até dois anos, segundo estimativa da Secretaria de Agricultura; cerca de 3,2 mil famílias tiveram lavouras afetadas

Bruno Boghossian, O Estado de S. Paulo

10 de fevereiro de 2011 | 17h57

RIO - Trinta dias após a tempestade que devastou partes de sete municípios da região serrana do Rio, áreas rurais ainda estão sem água e energia elétrica, o que impede a retomada da produção agrícola. A recuperação total da zona rural pode levar até dois anos, segundo estimativa da Secretaria de Agricultura do Estado, uma vez que cerca de 500 pequenas pontes ainda precisam ser recuperadas para permitir o transporte dos alimentos plantados na região.

 

Aproximadamente 3.200 famílias tiveram suas lavouras afetadas pelos alagamentos e deslizamentos de terra que atingiram sete municípios do Rio no dia 12 de janeiro. Alguns campos ficaram cobertos por camadas de até 50 centímetros de lama e por toneladas de pedra. Toda a colheita se perdeu e as plantações que resistiram começaram a morrer devido aos danos em máquinas, sistemas de irrigação e redes de energia.

 

Nesta quinta-feira, 10, o Ministério do Desenvolvimento Agrário anunciou a liberação de R$ 71 milhões em linhas de crédito e recursos a fundo perdido para a recuperação da agricultura familiar da região serrana. As lavouras dos municípios atingidos pela chuva representam 28,5% da produção agrícola do Estado.

 

"Um dos objetivos dessas medidas é impedir a migração dos produtores para o ambiente urbano, quebrando o vínculo com o ambiente rural e ampliando o risco de ocupações irregulares nessas cidades. Essa seria uma segunda tragédia", afirmou o secretário de Agricultura do Rio, Christino Áureo.

 

Segundo a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio (Fetag-RJ), grande parte dos pequenos produtores ainda não conseguiu retomar a produção pois não têm acesso a crédito. Além disso, há terrenos arrasados que só poderão ser recuperados com a ajuda de grandes máquinas.

"Sabemos que essa ajuda não vem de uma hora para a outra, mas o agricultor precisa de crédito para produzir. É difícil conseguir esse dinheiro em bancos comuns", avalia a diretora da Fetag-RJ, Maria Luciana da Silva Alves.

 

Autoridades também darão início a vistorias em 2 mil casas afetadas pela chuva na zona rural, uma vez que as áreas urbanas haviam sido privilegiadas nas últimas semanas. O objetivo é evitar a reocupação desses imóveis e incentivar a produção a partir de técnicas que reduzam o impacto ambiental, como a rotação de culturas e o descanso da terra.

 

"A agricultura familiar produz alimentos de melhor qualidade e a preços mais acessíveis, então tomamos essas medidas para dar melhores condições de produção e de vida aos agricultores, mas também acesso aos alimentos à população", disse o ministro do Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence.

 

Na terça-feira, 15, o governador Sérgio Cabral vai anunciar a criação de um comitê de reconstrução rural da região serrana do Estado, além da liberação de recursos do Banco Mundial para a recuperação do ambiente produtivo.

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