Leo Souza/Estadão
Leo Souza/Estadão

Áreas urbanizadas do Brasil praticamente dobraram em 35 anos, aponta estudo

‘Favelas’ equivalem a 95 mil campos de futebol e Mata Atlântica concentra maior parte de ‘áreas informais’, segundo o MapBiomas

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2021 | 05h00

As áreas urbanizadas do Brasil praticamente dobraram entre 1985 e 2020, indo de 2,1 mil para 4,1 mil hectares, segundo um levantamento inédito divulgado pelo MapBiomas e feito com imagens de satélite. Do total, 4,66% foram de “áreas informais” ou “favelas”, territórios dos quais os ocupantes não têm posse da terra, o que equivale a 95 mil campos de futebol ou 11 vezes a área de Lisboa, em Portugal.

A taxa anual de crescimento das áreas urbanas tem sido de 1,97%, maior do que o crescimento da população, de 1,45%. Hoje, a capital que apresenta a maior expansão urbana no período é São Paulo (218,9 mil hectares), seguida por Rio de Janeiro (174,5 mil), Brasília (89,2 mil), Belo Horizonte (87,1 mil) e Curitiba (74,2 mil).

De acordo com a análise do MapBiomas, as áreas urbanas de informalidade são “mais sensíveis às políticas econômicas e sociais” e tiveram períodos maiores de crescimento que coincidem com a retração do Produto Interno Brasileiro (PIB). O maior aumento dessas ocupações foi na Amazônia, com 18,2%. Entre os Estados que compõem o bioma, o Amazonas tem a maior proporção (45%) de área urbanizada ocupada por favelas. Na sequência, estão o Amapá (22%), o Pará (14%) e o Acre (12,6%). Já o Espírito Santo, no Sudeste, tem 21,5% de sua área urbana com ocupações informais.

Dentre as capitais com maior área urbana ocupada por favelas, os destaques são Belém (51%), Manaus (48%) e Salvador (42%). No Norte, esse porcentual tem se mantido alto pelos últimos 36 anos, de acordo com o MapBiomas.

Apesar de a Mata Atlântica ainda ser o bioma que concentra mais de metade das áreas urbanizadas do Brasil (54,7%), o crescimento registrado nas últimas três décadas foi maior na Amazônia (2,5%), na Caatinga (2,53%) e no Cerrado (2,08%) – todos com taxas de crescimento anual superior à média nacional.

Outra característica do crescimento de favelas observado pelas imagens de satélite é que a cada 100 hectares um foi construído em áreas com declive maior que 30%, o que apresenta risco maior de deslizamentos. O crescimento total desse tipo de ocupação foi na ordem dos 40 mil hectares, predominantemente em Minas Gerais, Rio, Santa Catarina, Espírito Santo e São Paulo, mas também já registrado no Amazonas, Paraná, Rio Grande do Sul, Alagoas, Pernambuco e Bahia.

“A combinação desses dois dados deve acender uma luz amarela para os gestores públicos porque eles criam as condições perfeitas para desastres urbanos”, explica Julio Cesar Pedrassoli, um dos coordenadores do mapeamento de infraestrutura urbana do MapBiomas. O levantamento ainda mostrou que, das áreas urbanizadas em 2020, pouco mais de um terço (34%) era áreas de pastagens ou de uso misto para agricultura e pastagem.

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